O Roteiro Feminista de Vida e as Mulheres Infelizes

Autora: Joy Pullmann (*)
Tradução: André Carezia

Versão em PDF.

A nossa cultura é tão saturada de feminismo que até mesmo as pessoas conservadoras e devotamente religiosas como eu não conseguem raciocinar fora dos sulcos que as suas rodas criaram. Isto não seria um problema se o feminismo não fosse, graças à visão falsa da natureza humana, diametralmente oposto ao florescimento humano, tanto individual quanto coletivo.

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Mesmo com as evidências se acumulando de desgosto em desgosto, muitas mulheres continuam se entregando à dissonância cognitiva. Nós todos queremos crer que somos excepcionais, que os padrões do comportamento humano não se aplicam a nós; que coisas ruins aconteceram a outras pessoas que fizeram as mesmas coisas que nós fazemos ou queremos fazer, mas estas coisas ruins não vão acontecer também conosco. Somos especiais. Somos diferentes.

A recusa em aprender com a história e com a experiência apenas dessensibiliza as pessoas para a realidade que lhes bate na cara, e da qual precisam para tomar decisões mais inteligentes e viver melhor. Ter em mente que a experiência e a sabedoria dos seres humanos ao longo do tempo pode pesar no nosso comportamento presente permite uma forma de diagnóstico e tomada de decisões que utiliza bilhões de pontos de amostragem acumulados. Sim, é preciso ter humildade para julgar se as suas condutas e pressuposições são equivocadas, mas você deixa de marcar pontos no feminismo para colher cem vezes mais numa vida abundantemente feliz. Como é que eu sei? Aconteceu comigo.

Comecei a abandonar o feminismo no dia em que vi um teste de gravidez

Fui premiada com uma gravidez não planejada e não desejada. Éramos casados, mas eu fiquei arrasada, porque o que eu queria era fazer o que todo mundo dizia que se deve fazer: sair da faculdade e me concentrar imediatamente na carreira. Eu e o meu marido chamamos o bebê de “nosso bolo de frutas”: um mimo com o qual ninguém sabe exatamente o que fazer. Um bebê enjoado que mereceu ficar com este apelido por dois anos. Agora, não lhe cabe mais.

Com o tempo, eu aprendi que, em vez de ter me angustiado com este milagre, devia ter ficado – e acabei ficando, devagar – profundamente grata. Este menininho me salvou, mostrando-se lentamente na minha vida como uma flor rara e preciosa. Mais uma pétala se abriu esta semana: eu li dois relatos recentes de mulheres com as quais eu me pareceria muito mais se tivesse descoberto antes um jeito de esterilizar o meu útero, que era o que eu planejava.

Uma mulher de 35 anos escreveu no mês passado, imensamente angustiada, para a coluna de conselhos do The Cut, tornando-se uma das histórias mais lidas dos últimos tempos. Ela começou na vida como uma “inovadora” na costa oeste, pulando de cidade em cidade e de namorado em namorado: pode parecer glamouroso, mas hoje, em retrospectiva, ela vê o desperdício de potencial para formar uma família.

Eu não tenho familiares por perto. Nenhum relacionamento construído sobre anos de amadurecimento mútuo e experiências partilhadas. Nenhum filho. Amigos eu faço, facilmente, mas já deixei quase todos eles para trás; cada vez que eu me mudei para outras cidades, eles continuaram a criar raízes profundas: casamentos, propriedades, carreiras, comunidades, famílias, filhos. Tenho poucas amigas íntimas. Sou grata por elas, mas a vida prossegue cada vez mais atarefada, e hoje ficamos meses sem conversar. Grande parte das noites eu passo sozinha com o meu gato (olhe o clichê)…

A minha apatia está se manifestando de modos estranhos. Eu bebo demais, e, quando aparece a ocasião de encontrar os meus amigos, acabo ficando bêbada e irritada, ou triste (ou as duas coisas), e afastando-os. E eu sinto, com os homens que namoro, um ímpeto de obter algo cedo demais da relação – morar junto, me casar, ‘preciso ter filhos em dois ou três anos’; momentos divertidos! Tudo isto enquanto tento ser a gostosa de 25 anos que eu imaginava ser até pouco tempo atrás.

Eu pensava que era uma sabe-tudo. Vida de aventuras na cidade! Viajar o mundo! Criar recordações! Me sinto incrivelmente vazia agora. E tola.

A colunista respondeu com empatia e papo de auto-estima, mas não reconheceu e nem corroborou a verdadeira perda desta mulher. Aos 35 anos, a fertilidade feminina começa uma queda livre até a menopausa. É a idade na qual os médicos classificam uma gravidez como de alto risco, o que significa que a mulher tem maiores chances de complicações, que só aumentam à medida que a idade avança; são maiores também as chances de intervenção médica durante a gravidez e o parto, com mais riscos para a mãe e para a criança.

Assim, com toda a probabilidade, esta mulher já perdeu a capacidade de ter mais de um filho; se ela tiver sorte, pode conseguir um, apesar da falta de potencial para tal no horizonte em vista. Lembre que são precisos dois anos para ter cada bebê e se recuperar dele. Portanto, se você quer dois filhos, precisa de pelo menos cinco anos de fertilidade para tê-los. Se quer três filhos, precisa de pelo menos sete anos de fertilidade.

Subtraia isto de 35, e você obtém 28. Hoje, esta é a idade média para o primeiro casamento das mulheres, mas em geral elas não se casam pensando imediatamente em garantir ao menos um bebê. Isto quer dizer que milhões de casais estão, sem necessidade, arrumando encrencas para ter filhos, simplesmente por não escolherem os melhores momentos para tê-los.

Afastando as mulheres do nosso sonho americano

Hoje, 86% dos americanos querem ter pelo menos dois filhos. Mas adiar o casamento, e colocar a universidade e a carreira em primeiro lugar, faz com que eles não vivam à altura dos seus sonhos familiares. O New York Times registrou em fevereiro que “a distância entre o número de filhos que as mulheres dizem querer (2,7) e o número de filhos que provavelmente terão de fato (1,8) já é a maior em 40 anos.” Isto está criando um número cada vez maior de mulheres profundamente, irreparavelmente frustradas, como ilustra não apenas a escritora do The Cut, mas uma outra mulher esta mesma semana.

Uma mulher de carreira, com 50 anos e quatro diplomas universitários, ligou recentemente para o programa de rádio do Dennis Prager. Seu conselho para as mulheres jovens pode ser resumido no seguinte: não façam o que eu fiz. “Fui programada para entrar no mercado de trabalho, competir com os homens e ganhar dinheiro,” disse ela. “Supostamente seria uma vida de realizações. Mas quem me disse isto foi uma mãe feminista, divorciada, e que odiava o marido – meu pai.”

…é solitário ver os seus amigos tendo filhos, saindo de férias, planejando as vidas dos filhos, e você não tem mais nada para fazer à noite exceto ir para casa, para os seus cães e gatos…

Quando você envelhece e mora sozinha, surgem outras preocupações. Quem vai levá-la ao médico? Se alguma coisa lhe acontecer, não haverá outra renda para ajudá-la. São estas coisas que você não compreende quando tem os seus 20 e poucos anos; você não imagina que algum dia vai ficar velha e ter problemas de saúde…

Quero dizer às mulheres: encontrem alguém quando tiverem 20. Então vocês ainda são muito lindas. Então vocês ainda acham agradável resolver as coisas com alguém. Será muito mais difícil, quando chegarem nos 50 e já tendo morado sozinhas, vocês se comprometerem com alguém, terem alguém dentro de casa; cada mínimo detalhe deles é irritante, acostumadas que estão a serem sozinhas.

O famoso (ou infame) psicólogo e guru dos conselhos Jordan Peterson ouve isto o tempo todo das suas clientes femininas mais inteligentes e motivadas. Quando têm os seus 20 anos, elas acham que querem a carreira. Mas quando chegam aos 30, elas começam a perceber que também querem uma família, e que isto lhes é, na verdade, mais importante do que as marcas abstratas nos degraus de alguma carreira. Neste ponto, porém, dados os caprichos de encontrar alguém, de passar pelo casamento e de chegar depois na reta final da gravidez, é muito mais difícil que elas consigam a vida desejada.

Um dos vídeos populares de Peterson se chama “Mulheres de 30,” e contém comentários que ele repete em outros lugares.

“De fato não é evidente para mim que as mulheres jovens da nossa sociedade sejam informadas da verdade sobre como as suas vidas provavelmente serão,” diz ele. “Ensinam a elas, tanto de modo explícito quanto de modo implícito, que ficarão interessadas em primeiro lugar na busca de uma carreira dinâmica; há alguns sérios problemas com isto… A minha experiência tem sido a de que as mulheres de alto desempenho, quando chegam aos 30, decidem que o relacionamento e a família são as coisas mais importantes na vida.”

Peterson argumenta que a nossa sociedade “mente para as mulheres,” e ele tem razão. Somos instruídas a “buscar a nós mesmas” e procurar a felicidade em quase todos os lugares, menos onde a história humana já demonstrou que iremos colhê-la de modo mais generoso. O que ele não menciona aqui (nem em outros lugares, até onde eu vi) é a associação destas mentiras com os problemas de fertilidade, que tanta tristeza causam às mulheres.

Geralmente não é fácil encontrar alguém para casar, e mais do que um em cada dez casais experimentam infertilidade. Os problemas de infertilidade, além disto, aumentam e ficam mais difíceis de resolver com a idade. Aquele namorado que você descartou aos 25, porque “ainda não se achava pronta para casar,” não estará por perto aos 30, ou 35; os substitutos dele também já estarão sumindo de vista nesta idade.

A beleza feminina atinge o pico por volta dos 20 anos, e não surpreende que coincida (de um ponto de vista biológico) com a sua fertilidade. Eis um gráfico feito com dados do site OKCupid, mostrando a idade em que os homens acham uma mulher mais atraente:

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Aaron Renn, que postou este gráfico na sua lista de e-mail Masculinist, resume assim uma montanha de informações relacionadas ao romance e aos sexos: “Para a média das mulheres, a beleza geral provavelmente atingirá o pico por volta dos 25 anos, quando começará a decair então por praticamente o resto da vida. Para os homens, a aparência também entra em declínio. Mas o seu poder, status, dinheiro, começam no baixo e sobem com o tempo, compensando (ou às vezes mais do que compensando) por um certo tempo a perda na aparência… Na juventude, as mulheres estão na sua melhor forma, e os homens estão ainda se aprimorando. Daí que a mulher, em média, tenha muito mais poder de atração que o homem, em média. Quando chegamos aos 30 anos, esta situação começa a se inverter.”

Isto quer dizer que as mulheres detêm o maior poder de barganha nupcial por volta dos 20 anos. A estratégia feminina mais inteligente, portanto, é casar cedo, e se amarrar num marido antes que precisem competir com mulheres mais jovens e sexy. É exatamente o oposto do que a nossa sociedade manda as mulheres fazerem. Ela manda as mulheres fazerem a mesma coisa que os homens fazem. Mas as mulheres não são homens. Os nossos corpos são diferentes, a nossa fertilidade é diferente, as nossas prioridades são diferentes. Logo, enquanto os homens conseguem se recuperar (e até mesmo se beneficiar) de um casamento tardio, as mulheres em geral são extremamente prejudicadas por ele.

Nós, mulheres, necessitamos de um roteiro de vida próprio; merecemos um que se ajuste em nós. Para construir um, precisamos conhecer e precisamos que nos contem a verdade sobre aquilo que faz as mulheres felizes, aquilo que as mulheres querem com toda a força na vida, e os limites biológicos para realizarmos os nossos sonhos. Precisamos, depois, agir sobre este conhecimento para dar à luz os nossos sonhos.

Você pode dar sorte, como eu, e ter um bebê-surpresa precoce que transforme todos os seus planos de vida em algo melhor. Entretanto, se eu fosse você, não esperaria por um milagre. Eu sairia e arrumaria um de propósito.


(*) Tradução do artigo publicado em dezembro de 2018 na revista The Federalist. O link para o artigo original: https://thefederalist.com/2018/12/11/the-feminist-life-script-has-made-many-women-miserable-dont-let-it-sucker-you/

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