A Catástrofe do Suicídio

(Traduzido do original em inglês, publicado em maio de 2014 na revista americana de cultura The New Criterion. O artigo original está disponível para assinantes no seguinte link: http://www.newcriterion.com/articles.cfm/The-catastrophe-of-suicide-7902)

Autora: Emily Esfahani Smith

Tradução: André Carezia

Versão em PDF.

Nos últimos meses, houve vários acontecimentos desoladores a nos lembrar o aumento, por todo o país, dos suicídios, um tema sobre o qual escrevi em minha primeira coluna “Modos & Moral” em outubro (“Life on the island”, A Vida na Ilha). Destes, o mais falado de todos foi o de LWren Scott. A designer de moda de 49 anos foi achada morta em seu apartamento na cidade de Nova Iorque, apartamento este que foi aparentemente comprado para ela por Mick Jagger, seu namorado da época.

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Uma semana depois, a secretária de educação da cidade de Nova Iorque, Carmen Fariña, convocou uma reunião fechada com os diretores para discutir a epidemia de suicídios entre os alunos da cidade. Graças ao fato do New York Post ter publicado a estória, sabemos agora que os suicídios estão em alta no meio juvenil da cidade: há dois anos atrás, nove alunos cometeram suicídio; no último ano, quatorze; e, nestes primeiros meses de 2014, doze já cometeram suicídio em Nova Iorque.

Em março, alguns voluntários se reuniram em Washington para instalar 1892 bandeiras americanas no [parque] National Mall, lembrando cada veterano que cometeu suicídio desde o início de 2014. Faça a conta: são vinte e dois veteranos se suicidando por dia. Outro número trágico: desde 2001, o ano que marca o início das guerras no Iraque e Afeganistão, mais soldados da ativa se mataram do que morreram em combate.

O aumento no número de suicídios veio acompanhado pelo sumiço das questões morais que antigamente cercavam aqueles. G. K. Chesterton foi um dos nossos últimos críticos vigorosos do suicídio. Sua insistência em dizer que o suicídio é imoral soa estranha aos nossos ouvidos individualistas: “O suicídio não é apenas um pecado; é o pecado”, escreveu Chesterton. “É o mal final e absoluto, a recusa em se interessar pela existência; a recusa em fazer o juramento de lealdade à vida. O homem que mata um homem, mata um homem. O homem que mata a si mesmo, mata todos os homens; do seu ponto de vista, ele aniquila o mundo”. Chesterton prossegue dizendo que o ato suicida é egoísta: “Um suicida é um homem que dá tão pouca importância a qualquer coisa além dele, que ele quer ver o fim de tudo”. Seria difícil imaginar alguém escrevendo coisas assim polêmicas hoje. Não consideramos que o suicídio é a catástrofe moral que pessoas como Chesterton antigamente pensavam.

Nossa cultura contemporânea, ao contrário, trata o suicídio como um problema médico – uma “questão de saúde pública”, como o psicólogo e pesquisador Joshua Rottman afirmou recentemente ao The Atlantic. De acordo com seu novo estudo, tanto as pessoas religiosas quanto as não-religiosas possuem uma inclinação moral contrária ao suicídio, e a inclinação nasce das “reações de repugnância” que elas têm quando confrontadas com estórias de suicídios. Cometer suicídio, elas pensam, contamina a alma. Para Rottman, isto é um problema. Estas reações são irracionais e portanto nocivas: “A questão valendo 1 milhão de dólares”, diz Rottman, é “como tirar do suicídio o estigma de coisa impura”. E continua: “Isto não quer dizer que devemos começar a achar que suicídios são uma coisa completamente boa, mas não acho que devemos tratá-los como tabu (sendo assim assunto proibido em conversas educadas). Ao invés disso, devemos lidar como eles como se fossem uma questão de saúde pública, e buscar maneiras de efetivamente aumentar a prevenção.” Mas Rottman está errado ao desmoralizar a noção de suicídio. Se queremos seriamente ajudar as pessoas a superar suas noites escuras da alma, devemos insistir – com Chesterton – que o suicídio é um problema moral, e não apenas clínico.

É exatamente isso que faz um novo e importante livro. Stay: A History of Suicide and the Philosophies Against It [“Fique: Uma História do Suicídio e as Filosofias Contrárias a Ele”], da poeta e filósofa Jennifer Michael Hecht, desafia a nossa cultura de aceitação do suicídio, e revigora os argumentos morais contrários a ele. Em uma época em que poucos filósofos e intelectuais oferecem argumentos não religiosos fortes e convincentes contra o suicídio, o livro de Hecht surge como uma advertência de que nossa abordagem liberal em relação ao suicídio é relativamente nova, e na verdade bastante radical, e deve ser claramente contestada. Em parte uma história intelectual, em parte uma polêmica – e branda – contra o suicídio, o livro preenche um vazio no diálogo cultural a respeito da escolha de terminar a vida de alguém. Hecht escreve: “Os argumentos contra o suicídio, os quais pretendo reviver na consciência pública, afirmam que o suicídio é errado, que ele prejudica a comunidade, que ele estraga a humanidade, que ele antecipa injustamente seu próprio eu.”

Hecht staynos recorda que através da história – no ocidente ao menos – sempre houve forte pressão social e argumentos filosóficos contra o suicídio. Embora os antigos em geral já escrevessem contra o suicídio, suas posições foram defendidas com máximo vigor por pensadores cristãos, que encaravam o suicídio como um pecado – uma violação da lei moral de Deus. A crença cristã sobre o suicídio foi articulada de modo mais claro por Santo Tomás de Aquino, que achava, como escreve Hecht, que “o suicídio é cruel para com a comunidade, é cruel para consigo mesmo, e Deus mandou não fazer.” Aqueles que violavam a lei moral, tirando as próprias vidas, enfrentavam um destino póstumo pavoroso. Seus corpos eram torturados e arrastados pelas ruas. Suas propriedades eram confiscadas pela Igreja, e suas famílias eram deixadas sem nada.

Esta visão começou a mudar durante o Iluminismo. Os filósofos seculares daquela época, como David Hume e o Barão d’Holbach, fizeram tudo que puderam para empurrar o cristianismo para a irrelevância filosófica. Uma nas baixas na guerra contra a religião foi a proibição moral contra o suicídio, que Hume associava, como aponta Hecht, com a “superstição da Europa moderna.” Foi um caso clássico de jogar o bebê junto com a água do banho. Para Hume e d’Holbach, o suicídio era um caminho permitido para escapar ao sofrimento, e a justificativa deles era quase sempre assustadoramente desumana. Pergunta d’Holbach: “Além do mais, que auxílio ou que vantagem uma sociedade pode obter de um miserável desgraçado reduzido ao desespero, de um misantropo sufocado de dor, de um miserável atormentado pelo remorso, que não tem mais nenhum motivo para se considerar útil aos outros, que abandonou-se, e que não se interessa mais em preservar sua vida?”

A visão pró-suicida, que “agora é uma atitude que define a cultura secular, é um erro e precisa ser repensada”, escreve Hecht. Produziu uma confusão moral. Os seculares que estão entre nós rejeitam o cristianismo e as idéias cristãs sobre o suicídio – e certamente a resposta medieval a ele – mas isto não quer dizer que devemos concluir que o suicídio é permitido. O argumento não-religioso contra o suicídio, afinal, já foi encampado por um grupo admirável de pensadores, desde Kant até Durkheim até (o suicida) Wittgenstein. Como cultura, esquecemos seus argumentos, mas precisamos revivê-los e encampá-los de modo a salvar as pessoas suicidas da tirania de suas emoções. O suicida precisa perceber que o sofrimento é parte natural e passageira da vida, que ele precisa persistir, e que ele vive não apenas para si mesmo mas para os outros.

O peso moral do argumento de Hecht fica claro quando consideramos os efeitos de longo alcance do suicídio. Eles se estendem além da morte do suicida, e da dor de seus amados. O suicídio é contagioso como uma doença infecciosa. Quando uma pessoa em uma comunidade tira sua vida, não é incomum que outras pessoas sigam seu exemplo, criando o que os cientistas chamam de “suicídio em série”. Por isso é que, usando um potente floreio retórico, Hecht chama o suicídio de assassinato “retardado”. Quando você decide tirar a sua vida, ela alega, você não mata apenas você mesmo, mas também seu vizinho, seu colega de escola, seu irmão de luta.

A própria idéia de suicídio pode levar ao auto-assassinato. O romance de Goethe, Os Sofrimentos do Jovem Werther (1774) – sobre um jovem que se mata quando a mulher que ele ama o rejeita – iniciou após sua publicação uma onda de suicídios em série na Europa. O chamado “efeito Werther” deve fazer-nos parar e refletir sobre o modo como a mídia faz a cobertura dos suicídios reais, e sobre a maneira dos artistas e criadores abordarem o suicídio em suas obras. Neste sentido, Hecht cita um estudo do New England Journal of Medicine a respeito de três filmes cujos aspectos centrais do enredo são suicídios. O estudo “descobriu que os suicídios aumentaram depois de dois deles, ambos com foco na vítima de suicídio. O outro filme, não associado ao crescimento na taxa de suicídio, se concentrou nos pais e em sua angústia.” Idéias têm conseqüências: “Elas podem influenciar as pessoas tanto em direção à morte quanto para longe dela.” Hecht cita uma pesquisa que mostra que, das pessoas que tentaram cometer suicídio e falharam, a maior parte é grata pela falha. Elas não tentam mais tirar suas vidas, e admitem que “a tentativa inicial foi um ato impulsivo.”

Em minha coluna de outubro passado, indiquei uma pesquisa – de Durkheim e da ciência social moderna – que mostra que o crescimento do suicídio veio acompanhado pelo crescimento do individualismo. O papel do indivíduo na sociedade mudou dramaticamente desde o Iluminismo. Antes, a influência da tradição judaico-cristã no ocidente colocava restrições na vontade do indivíduo. A moralidade estava organizada em torno da vontade de Deus e de nossos deveres comunitários – e o suicídio era considerado uma afronta a ambos. Hoje, porém, nosso sentido de certo e errado está organizado mais em torno da experiência individual do que no bem da comunidade.

O famoso filme A Sociedade dos Poetas Mortos (1989) é um bom exemplo da resposta moderna e individualista ao suicídio. O filme gira em torno de um grupo de colegiais veteranos em uma escola de elite, um internato apenas para meninos, em New England. O líder do problemático grupo, Neil, enfrenta um dilema comum de adolescente. Seus pais querem que ele faça medicina, mas ele quer ser ator. Contrariando o desejo de seu pai, Neil faz o papel de Puck na montagem de Sonho de Uma Noite de Verão que a escola realiza. Seu pai decide removê-lo do idílico internato e mandá-lo para a academia militar, a fim de prepará-lo melhor para Harvard e uma carreira de médico. Quando Neil volta para sua casa, ele está em um turbilhão emocional. Acha que sua vida acabou. Acha que não será capaz de concretizar seu sonho de ser um ator. Ele se convence de que a solução para o problema é se matar na casa de seus pais, os quais encontram seu corpo mais tarde naquela noite.

Lamentavelmente, a estória romantiza o suicídio dele. Neil veste uma coroa de espinhos antes de tirar a própria vida, estabelecendo uma ligação espúria entre seu último ato de vontade e a submissão de Cristo à vontade do Pai. Somos levados a concluir que o adolescente é uma vítima – e seu pai é o vilão, responsável por sua morte e merecedor do sofrimento que sente ao ver seu filho morto. O filme convida-nos a simpatizar com a situação infeliz de Neil. A morte de Neil é apresentada como se fosse uma expressão da liberdade, uma fuga da infelicidade extrema, do sofrimento, e de outras barreiras que o impediriam de viver a vida do jeito que ele gostaria. Mas o fato é que a decisão de Neil é impetuosa e acima de tudo egoísta. Ao contrário de Cristo, ele não entrega sua vida por amor aos outros; seu suicídio, ao invés disso, é um ato de vingança. Mesmo assim, somos levados a concluir que ele é uma espécie de herói que morre porque o mundo é imperfeito e ele não consegue atingir a plenitude de seu ideal artístico.

Hecht impele-nos a “aposentar a idéia de que cada um é livre para tirar sua própria vida.” Hecht aqui realmente insiste em que repensemos o relacionamento do indivíduo com sua comunidade. O suicídio, que pode acabar com a infelicidade do indivíduo, é causa de incontáveis infelicidades na comunidade. Tirar a própria vida não é, portanto, uma escolha puramente pessoal, cujos efeitos são sentidos apenas pelo morto. Impõe um julgamento profundo contra o mundo partilhado por todos.

Nossa atitude perante o suicídio diz muito sobre o quanto valorizamos a vida e as comunidades que nos sustentam. Para nós não deveria ser surpresa que o suicídio tenha ganhado aceitação em nossa cultura; nossas comunidades estão se dissolvendo; o indivíduo, livre das muitas amarras tradicionais, se considera o senhor de seu próprio destino. Embora haja certamente casos em que a morte é com justiça considerada uma libertação do sofrimento, já é tempo de reconsiderar nossa crença de que, como indivíduos, somos livres para escolher a hora e o lugar desta libertação. Como assinala Hecht: “O sentido da vida é maior do que o indivíduo.”

Homens que Vêem Mulheres como Objetos Sexuais

(Traduzido do artigo original do jornalista conservador americano Dennis Prager, publicado em 13/dezembro/2016: http://www.dennisprager.com/on-men-viewing-women-as-sex-objects/)

Tradução: André Carezia

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Minha última coluna levou o título de “Donald Trump é Misógino?” Depois que li as reações por toda a Internet, percebi a importância de elaborar melhor o assunto de como os homens vêem as mulheres.

A educação superior torna aqueles que freqüentam a universidade mais estúpidos, mais ingênuos, e muitas vezes até mais ignorantes a respeito da vida do que aqueles que nunca estiveram na faculdade. Uma das provas disso é a crença amplamente presente entre os mais educados de que quando os homens consideram as mulheres como objetos sexuais, isso significa que eles são misóginos, que odeiam as mulheres.

Eis então, para aqueles que têm um diploma em qualquer uma das “ciências sociais”, uma lista de oito verdades sobre os machos e a “objetificação” sexual:

  1. Para homens heterossexuais, é completamente normal ver como objetos sexuais as mulheres pelas quais se sentem sexualmente atraídos.

  2. Uma das provas de que tal “objetificação” sexual é normal, e nada tem a ver com a misoginia, é o fato de que os homens homossexuais vêem como objetos sexuais os homens pelos quais estão sexualmente atraídos. Se os homens heterossexuais são misóginos, então os homens homossexuais odeiam os homens.

  3. Uma razão para isso é o poder quase ímpar que o visual tem de excitar sexualmente os homens. Os homens se excitam com o mero vislumbre do braço de uma mulher, do tornozelo dela, da panturrilha dela, da coxa e da barriga dela, mesmo sem olhar para o rosto dela. Essas pernas, panturrilhas, braços, etc, são objetos sexuais. É por isso que aparecem em inúmeros sites na Internet.

  4. Todo homem heterossexual normal, mesmo enxergando uma mulher como um objeto sexual, pode também respeitar completamente a mente dela, o caráter dela, e todo o resto que não é sexual nela. Os homens fazem isso o tempo todo.

  5. A maior parte das mulheres heterossexuais também vêem as mulheres sensuais como objetos sexuais, e elas dificilmente são misóginas. Pergunte à sua esposa ou namorada o que a excita mais: observar um homem se despir diante de uma platéia feminina, ou uma mulher se despir diante de uma platéia masculina.

  6. Um casal sortudo é aquele em que o homem consegue considerar sua parceira como objeto sexual. Quanto mais tempo um marido consegue tratar sua esposa, ao menos de vez em quando, como um objeto sexual, melhor é o casamento deles. Nem sempre é fácil ver como objeto sexual a mulher que você vê todo dia, a mãe de seus filhos.

  7. Todo o propósito da lingerie e de outros trajes sexuais é tornar a mulher um objeto sexual aos olhos de seu parceiro. Será que todas as mulheres que vestem lingerie, biquínis, uniformes de torcida, ou o que quer que seja que excita seus parceiros — e elas também, de preferência — odeiam as mulheres?

  8. Se o seu marido nega as afirmações acima, ele está mentindo. Ele tem medo de que você reaja irritada, ou que isso magoe seus sentimentos. Pode ser também que ele minta para si mesmo — afinal, ele também freqüentou a universidade e lê opiniões esquerdistas sobre a misoginia; e quer se um macho “iluminado”.

Que estes oito pontos tenham que ser escritos é um sinal dos tempos. A pergunta é: por que qualquer um desses pontos — conhecidos por quase todos os homens e mulheres que viveram antes dos anos 1960 — é controverso para tantas pessoas bem-educadas hoje em dia?

Resposta: o esquerdismo e sua ramificação, o feminismo.

O esquerdismo é em primeiro lugar uma negação da realidade.

Os esquerdistas negam a realidade por dois motivos.

Um é que o esquerdismo é uma religião (secular), e por isso tem dogmas que se sobrepõem à verdade.

O outro motivo é que a realidade é repleta de decepção e dor, e evitar a dor é o ímpeto psicológico central do esquerdismo. Isso explica os “quartos do pânico” infantilizantes que ficam nas instituições que a esquerda mais controla: as universidades. Esses quartos existem para proteger os ouvidos dos alunos contra idéias das quais discordam (lembre-se do primeiro motivo) e contra idéias que lhes causam dor.

Cite uma posição da esquerda, e em quase todos os casos você verá como exemplifica um desses motivos, ou ambos.

A realidade é que a natureza humana não é basicamente boa. Mas desde o iluminismo francês a esquerda vem afirmando que as pessoas são basicamente boas. Por isso os esquerdistas culpam a “pobreza” e o “racismo” pelos crimes violentos, mas não culpam o criminoso violento.

A realidade é que quanto mais elevado o salário mínimo, menos funcionários serão contratados. Mas devido ao dogma, a esquerda nega isso. (Em 1987, quando a seção de editorial do New York Times não era esquerda pura como é hoje, houve um editorial intitulado “O Salário Mínimo Correto: $0.00”.)

A realidade é que a palavra Islã significa “submissão”, mas esse significado conflita com a fantasia esquerdista de que todas as culturas são moralmente iguais. Assim, quase todos os professores e publicações esquerdistas afirmam que Islã significa “paz”. (Na medida em que se conecta com a palavra árabe para “paz” — “salaam” — é a paz que sobrevém depois de toda a humanidade se submeter ao Islã). A magnitude da negação da realidade esquerdista em relação ao mundo islâmico é aproximadamente igual ao volume de afirmativas que os esquerdistas fazem a respeito dele. (Assim foi que o governo Obama chamou de “violência no local de trabalho” o massacre de 13 pessoas em Fort Hood por um radical islâmico.)

Também é realidade, e não uma expressão de misoginia, que os homens vejam como objetos sexuais os objetos de seu desejo sexual. Mas isso é muito doloroso para as feministas e para outros esquerdistas. E viola a teoria feminista, que diz que os homens e as mulheres são essencialmente iguais, e que enxergar como objeto sexual uma mulher é misoginia.

Como conseqüência, a realidade é rejeitada.

Cuidado com dois perversos roteiros para os deprimidos

Artigo publicado originalmente em inglês, em fevereiro de 2016, no jornal conservador americano Conservative Chronicle (www.conservativechronicle.com)

Autor: Marvin Olasky

Tradução: André Carezia

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“A terra em que vivemos é um globo girante. Embora pareça gigante para nós, é meramente uma partícula de matéria em uma enorme vastidão de espaço.” Esse é o início de The Outline of History, de H. G. Wells, publicado em 1920; é uma história do mundo que ajudou a me inclinar na direção do ateísmo e do socialismo quando eu era adolescente.

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“Um Animal sem Significado”. Noventa e cinco anos mais tarde, esse é o título do capítulo 1 de Sapiens: A Brief History of Humankind, de Yuval Noah Harari, que muitos críticos aplaudiram em 2015. O ano passado foi bem-sucedido para o professor israelense, um ateu que aderiu ao que o Guardian chamou de “TED-cracia global: astros acadêmicos que viajam o mundo dando palestras sobre tópicos da moda.”

EM CERTO SENTIDO, é estranho que Harari seja popular. Afinal, ele insiste que “a vida humana não tem absolutamente nenhum significado. Seres humanos são produtos de processos evolucionários cegos que operam sem objetivo ou propósito. Nossas ações não são parte de algum plano cósmico divino… Qualquer significado que as pessoas atribuam às suas vidas é apenas ilusão.”

Essas cutucadas de Harari soam como sadismo intelectual, e quem além de um masoquista iria querer comprar um livro que berra “você é um idiota”? Ah, mas Harari abre uma pequena e crucial exceção à sua alegação de que o homo sapiens é na verdade Homer Sapiens, mais simplório ainda do que Homer Simpson: Harari diz que “devemos conhecer as pessoas no Google, no Facebook, elas têm visões maravilhosas do futuro, sobre superar a morte, vivendo eternamente, fundindo humanos com computadores.”

O elogio do autor aos potenciais patrocinadores é enorme: Harari interpõe um ataque obrigatório ao movimento do design inteligente, que “alega que a complexidade biológica prova que deve haver um criador que pensou em todos os detalhes biológicos a priori”. Ele diz que são tolos, é claro, “mas os proponentes do design inteligente podem, ironicamente, estar certos sobre o futuro”: googlianos e facebookianos serão os projetistas inteligentes, criando o Homo Google e o Homo Facebook à sua própria imagem.

SURPRESA NENHUMA, então, é que o fundador do Facebook, Mark Zuckerberger, tenha selecionado Sapiens para seu clube online do livro, convidando 38 milhões de seguidores a ler que suas vidas são vazias de significado — a menos que trabalhem para criar o sucessor da humanidade através da engenharia genética, através da engenharia cyborg (combinando partes orgânicas e inorgânicas), ou através da criação de mentes dentro de computadores, mentes que tenham todas as características de vida exceto carne e osso.

O apelo desse mais admirável dos novos mundos é óbvio, numa época em que se pode escrever ISIS num buscador web e instantaneamente ver exemplos da depravação absoluta do homem. Aquilo que Agostinho escreveu em A Cidade de Deus 1600 anos atrás nós vemos em nossas telas de computador e TV: “Os homens pilham seus semelhantes e os levam cativos. Acorrentam e aprisionam, exilam e torturam. Cortam membros, destroem órgãos do sentido, e abusam dos corpos para gratificação da luxúria obscena do opressor.”

A religião de Harari, da salvação pela tecnologia, tem seu apelo, assim como qualquer religião que diz que alguns sapiens podem ascender às alturas dos céus se eles forem espertos e trabalharem bastante. Só que o cristianismo ensina que nossa esperança não está em ascender ao status divino, mas em Deus descer para se tornar homem. Como Gerald Bray escreve na excelente biografia publicada pela Crossway, Augustine on the Christian Life, “quanto mais ele foi conhecendo Deus, menos ele confiou nele mesmo e em seus próprios meios.”

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Sapiens provavelmente se tornará leitura obrigatória em muitos cursos para primeiro-anistas de universidades. Alguns leitores tentarão evitar a perda de sentido aderindo à tecnocracia, assim como eu aderi ao comunismo. “Sereis como deuses”, satanás sussurrou no jardim do Éden. O antídoto contra H. G. Wells ou Harari é o ensinamento bíblico de que todos, incluindo Lenin e Zuckerberg, pecam e se revoltam contra Deus — e que nossa esperança está em Cristo. Qualquer um que oferece uma falsa esperança está vendendo algo: um livro, um programa, talvez uma ideologia, mas sempre um ídolo.

SE CRIARMOS sociedades supostamente igualitárias, ou maravilhas da engenharia genética ou da engenharia de computação, iremos inevitavelmente infectá-los com nosso pecado. Se continuarmos construindo torres de babel, o futuro será mais na linha dos filmes Exterminador do Futuro do que na linha romântica de Harari.

www.conservativechronicle.com

Repensando o Dia da “Consciência Negra”

Paulo Cruz é negro, tem a mente sã, deseja compreender as coisas como elas são, e defende o mérito e o crescimento intelectual das pessoas.

Esperando as Musas

Repensando o Dia da “Consciência Negra”

Crítica e sugestões

Quando o mês de novembro desponta, além da espantosa sensação de que o Natal está chegando, minha caixa de e-mails é tomada por mensagens sobre o famigerado “Dia da Consciência Negra”. São programações e mais programações girando em torno do tema; todas repetindo mais e mais dos mesmos jargões; e todos os anos me faço a mesma pergunta: Consciência do quê? E se pensarmos por cinco minutos no assunto, outra pergunta rapidamente nos virá à mente – a não ser que uma alienação militante já nos tenha paralisado o pensamento: consciência tem cor?

A bem da verdade, essas questões de raça – uma invenção das mais funestas – já deveriam há muito ter sido superadas. Como dizia o velho Aristóteles:

 Dado que as coisas são em parte forma e em parte matéria, as contrariedades relativas à forma produzem diferença…

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