Et tu, Bento?

Autora: Hilary White[1]
Tradução: André Carezia

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Recentemente, o editor de uma revista católica “conservadora” me perguntou se eu estava interessada em escrever um artigo sobre a renúncia do papa Bento XVI, agora que se passaram cinco anos. Recusei dizendo-lhe que eu estava moralmente certa de que nada do que eu tinha para contar estaria de acordo com a sua linha editorial. Depois destes cinco anos eu já percebo que há muito menos gente se referindo ao abandono do pontificado como um ato “corajoso”. As conseqüências daquele ato têm se mostrado tão bizarras – mesmo para quem, no geral, está de acordo com Francisco – que muito poucas pessoas ainda se dispõem a emitir ruídos educados sobre isto.

Na verdade, após cinco anos da renúncia do papa Bento, a maioria dos fiéis católicos quer saber o porquê. Por que um papa – um homem com décadas de experiência íntima e pessoal com a “sujeira” na cúria e em toda a Igreja – decidiria sair de repente? Por que ele escolheria ir embora sabendo que a sua tarefa não estava completa? Tanto na época quanto agora, especialmente à luz do que vem acontecendo, as razões oferecidas são tão triviais, tão inapropriadas, tão desproporcionalmente mesquinhas, que parecem ser um dos aspectos mais bizarros de toda esta situação bizarra.

Essas respostas absurdas a perguntas sérias e graves levantaram de modo inescapável a suspeita de que Bento simplesmente não levou o papado tão a sério como nós aqui levamos. Não é possível evitar a ponderação: será que essas respostas trivializadas revelam algum profundo defeito nunca antes suspeitado? Será que estivemos errados sobre ele? Em caso positivo, será que estivemos tão errados assim?

As razões que ouvimos na época eram todas, em essência, “estou cansado”. Havia uma certa sugestão de que ele não se sentia mais apto para viagens internacionais, de modo que não podia ir ao Dia Internacional da Juventude e a eventos similares. A trivialização da renúncia parecia estar de mãos dadas com o conceito moderno do “papa como pop star”, coisa em que um homem tão sério – um católico tão sério – quanto Bento não poderia acreditar. Assim pensávamos. Assumimos que Bento XVI, mais do que todos, levava o papado a sério.

E desde então, enquanto todos os venenos que ficaram à espreita por cinqüenta anos na lama da Nova Igreja estão agora eclodindo freneticamente, muitos católicos querem saber: por que não ouvimos nada dele? Deste homem que acreditávamos ser o “campeão da ortodoxia”, que pensávamos conhecer. O erro, e até mesmo a heresia e a blasfêmia, escorrem diariamente da boca de seu sucessor – o qual, literalmente, transformou o Vaticano em um covil de ladrões – e não ouvimos nada além dos pronunciamentos ocasionais, feitos com palavras cuidadosamente escolhidas, para dizer que está tudo muito bem. Quão contente ele está com a sua decisão, e quão feliz com a sua vida atual!

Depois de três anos de desmonte sistemático de tudo que ele tinha tentado fazer em seu pontificado, o que obtemos de um Ratzinger que parece absolutamente tranqüilo é isto: “Sua bondade é o meu lar, é o lugar onde me sinto seguro.” Todo mundo que já tenha lido qualquer coisa escrita por ele ficou admirado dele ser capaz de emitir um disparate tão piegas quanto este, mas o vídeo não mente.

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Este novo tom foi tão estranho que começou a circular uma especulação de que ele estava sob algum tipo de pressão externa, sem liberdade para falar o que pensa. Mas isto não é o que nós vemos. Ele está ali claramente feliz, lendo aquilo em voz alta. “Pode ter sido escrito para ele.” Mas então por que repetir? Se ele tem algum receio, por que se deixar guiar em ocasiões assim, por que ler esta propaganda descarada? Se é uma fraude, por que participar dela?

Todos os que comentam esperançosamente em blogs e outras mídias sociais, dizendo-me sempre o quanto “sentem falta” dele, na verdade deixam de respeitá-lo numa coisa: eles não aceitam a sua palavra. Alguns insistem que a sua renúncia foi feita sob algum tipo de coação e é portanto inválida. Mas nós o ouvimos dizer várias vezes que ninguém o estava constrangendo, que ele tinha renunciado livremente. E de fato ele está longe de ser um “prisioneiro do Vaticano”. Ao contrário de ser um isolado, Bento já recebeu muitos convidados, os quais sempre relatam que, embora frágil, ele parece contente e nunca abre a boca para reclamar. Ainda estamos esperando alguma notícia de algum bilhete escondido debaixo de um jogo americano na mesa de jantar, implorando por socorro.

Não há dúvida de que esta é uma situação extremamente esquisita e, francamente, suspeita; alguma coisa não bate, esta é que é a verdade. Todas as perguntas ou foram desconsideradas ou receberam respostas frívolas e jocosas:

Por que o Senhor renunciou?

Ratzinger: “Eu estava meio cansado, sem muita vontade de festejar com a criançada no Dia Mundial da Juventude.”

Se o Sr. não é papa, por que ainda se veste de branco?

Ratzinger: “Ah, não tinha uma batina preta que me servisse.”

Por que o Sr. continua a se chamar Bento XVI, se não é mais papa?

Ratzinger: “Bom, eu sou um ‘emérito’, entende…?”

E de onde é que veio este negócio de “emérito”? Existe algum precedente para isto na história católica? Em termos canônicos e doutrinais, o que significa?

Ratzinger: “…”

O que foi aquela besteira do Gänswein sobre haver um “munus” dividido – um membro ativo e um “membro contemplativo”? Quer dizer que agora há dois papas?

Ratzinger: “…”

E provavelmente a mais agonizante de todas: “Como é que o Sr. pode ficar aí sorridente, pronunciando platitudes e tolices insossas, enquanto este lunático empurra as ovelhas para um precipício?”

Alguns dias atrás, o meu amigo Steve Skojec, do website tradicionalista/restauracionista One Peter Five, resumiu a consternação daqueles que ainda sentem uma afeição pelo (homem que costumávamos chamar) papa Bento. Talvez muitos de nós ainda nos sintamos relutantes em expressar publicamente toda a raiva e todo o devastador desapontamento que aparece resumido nesta breve postagem do Steve:

“O papa Bento XVI abdicou do papado há exatamente cinco anos atrás. E, através do abandono do dever de pastorear a Igreja, ele abriu espaço para o pior papado de todos os tempos – ao qual ele obstinadamente recusa se opor por palavras, atos ou até mesmo algum gesto por mais sutil que seja.

“Você pode amá-lo por razões diversas, pode sentir falta dele pelo contraste, mas não pode dispensá-lo da responsabilidade que ele tem. Ele se afastou de sua família, deixando a porta aberta para um padrasto abusador, e assiste não apenas em silêncio seus filhos serem surrados e desencaminhados, mas em aparente contentamento.

“Mesmo assim, ele foi o melhor dos papas pós-conciliares, motivo pelo qual ele será o único a não ser canonizado.”

Quem é o verdadeiro Joseph Ratzinger?

Observadores experientes do Vaticano já me disseram mais de uma vez: “Provavelmente ele apenas não era quem pensávamos que fosse”. Eu suspeito haver mais coisas nesta história do que a maioria das pessoas pode imaginar. Acho que cometemos o erro de acreditar na imprensa. Ficamos contentes porque a mídia, que é extremamente anti-católica, o odiava e temia. Esquecemos que eles não sabem absolutamente nada de catolicismo. O que os jornais nunca nos contaram foi que o teólogo Joseph Ratzinger, no início de seu sacerdócio em 1962, era conhecido pelo termo “progressista”. Esta reputação foi solidificada durante os trabalhos dele como peritus (conselheiro teológico) de um dos mais influentes bispos na ala progressista do Concílio, o cardeal Josef Frings, de Colônia. O que fez a fama de Frings naquele grande drama foi um pronunciamento criticando a CDF – e seu prefeito, o cardeal Alfredo Ottaviani – pelo “conservadorismo” presente no “schema” (os documentos preparados pela CDF para servirem de guia às discussões dos bispos.

Após o pronunciamento, houve uma revolta entre os bispos da comissão preparatória, e eles exigiram que o schema – que havia levado anos para ficar pronto – fosse abandonado. E isto foi feito, apesar das objeções de Ottaviani. Novos documentos foram improvisados por uma coalizão de “progressistas” alemães e franceses, os quais se rejubilaram por ter, na prática, tomado o controle do Concílio a partir daquele instante, mesmo antes de ter começado.

Hoje em dia se sabe que foi Joseph Ratzinger – o “progressista” rebelde trazido pelo teólogo e acadêmico Frings a Roma como seu secretário – que escreveu esse pronunciamento.

O cardeal Henri de Lubac, escrevendo em 1985 para recordar aquele drama, afirmou:

“Joseph Ratzinger, um perito conciliar, era também o secretário pessoal do cardeal Frings, arcebispo de Colônia. O idoso e já cego cardeal se utilizava amplamente de seu secretário para escrever suas intervenções. Ora, uma destas intervenções se tornou memorável: a crítica radical (embora serena) dos métodos do Santo Ofício. Malgrado uma resposta do cardeal Ottaviani, Frings manteve a sua crítica.

“Não é exagero dizer que o Santo Ofício, tal como se apresentava até então, foi naquele dia destruído por Ratzinger em conjunto com seu arcebispo.

“O cardeal Seper, homem cheio de bondade, iniciou a renovação. Ratzinger, que não mudou, a continua.”

A reputação de Ratzinger como um “progressista” não se baseava em um incidente, e nem se restringia às suas primeiras obras. Na gritaria que fizeram devido à sua liderança da CDF, ninguém notou que ele tinha escrito em 1982 uma convocação para que a Igreja “nunca retornasse” ao Sílabo dos Erros de Pio IX. No livro “Princípios de Teologia Católica”, Ratzinger propôs a questão “O Concílio deve ser revogado?”, e respondeu sua própria pergunta recomendando a “demolição dos bastiões” da Igreja Católica em relação ao mundo moderno:

“Portanto, o dever não é suprimir o Concílio, mas sim descobrir o verdadeiro Concílio, cavoucando em profundidade aquilo que ele realmente deseja em relação ao que já aconteceu desde então.

“Isto implica em não haver um possível retorno ao Syllabus, que pode muito bem ter sido um primeiro passo no combate ao liberalismo e ao marxismo nascente, mas nunca a palavra final. Nem o abraço, nem o gueto, podem resolver o problema do mundo moderno para o cristão. Por isto é que a ‘demolição dos bastiões’, convocada já em 1952 por Hans Urs von Balthasar, era na verdade uma obrigação urgente.

“Era necessário que ela [a Igreja] demolisse os velhos bastiões, confiando apenas na proteção da fé: o poder da palavra, que é sua força única, verdadeira e permanente. Mas demolir os bastiões não significa que ela não tem mais nada a proteger, ou que ela vive em dívida para com forças diferentes daquelas que a engendraram: a água e o sangue que brotaram do lado aberto do Senhor crucificado.”

Sua tese – um estai da ideologia “conservadora” – era a de que o Concílio “verdadeiro”, desde que corretamente implementado, seria a salvação da Igreja e do mundo; e ele nunca abandonou este tema.

Para aqueles que se lembravam desta história, quão irônico deve ter parecido que se entregasse ao próprio Ratzinger o cargo que ele tinha “destruído”, e que ele ganhasse a reputação midiática de um “arqui-conservador”. Isto é o indício de uma resposta, ou pelo menos de uma linha de investigação, para as seguintes perguntas: Por que tão pouca coisa se realizou em seu longo mandato? Por que, com o rottweiler “arqui-conservador” Ratzinger na CDF, temos a situação que temos hoje? O que ele fez para impedir a explosão do neo-modernismo, que queimou como um fogo descontrolado por todo o mundo católico ao longo do reinado de João Paulo II?

O que o “silêncio” imposto pela CDF de Ratzinger fez para impedir Hans Küng de se tornar um célebre “padre-teólogo”, cortejado pela mídia por sua aversão ao catolicismo? Küng, que nunca foi removido do sacerdócio apesar de sua manifesta heresia? Será que conseguimos pensar em outros nomes que foram corrigidos pelo menos nesta medida? Bem poucos.

Certamente, porém, nós conseguimos pensar em muitos e muitos que passaram a vida negando e solapando abertamente a fé católica – teólogos acadêmicos, religiosos, padres, bispos e cardeais ao redor do mundo – sem nem um pio de protesto vindo de Roma. Mais ainda: a escandalosa montanha de fraudes que hoje temos no episcopado é, em sua totalidade, fruto dos pontificados do “arqui-conservador” João Paulo II e do “rottweiler” Bento XVI.

Por que é que nós achávamos que Ratzinger, em seu papel crucial como prefeito da CDF, era um baluarte da ortodoxia? Será que é simplesmente porque nos afastamos tanto da antiga fé que já não temos mais uma noção realista da fé que permita uma comparação, um julgamento objetivo? O destruidor “progressista” de Ottaviani herdando o seu cargo… O epíteto de “arqui-conservador”…

O próprio Ratzinger, para dizer a verdade, sustentava que nunca havia mudado de opinião teológica. Ele dizia que eram seus velhos colegas acadêmicos como Küng e Kasper que tinham se deslocado ainda mais na direção da “esquerda” ideológica depois dos anos 60, enquanto ele tinha ficado no mesmo lugar. Talvez possamos agora finalmente aceitar a sua palavra nisto, como uma peça que se encaixa em nosso quebra-cabeças aparentemente contraditório. Talvez o mundo acadêmico da teologia católica tenha se tornado tão corrupto que um homem considerado “progressista” em 1963 pareceria um “campeão da ortodoxia tradicional católica” em 2005, mesmo sem mudar nenhuma de suas idéias.

Será que foi por isto que ele renunciou? Será que a sua concepção da Igreja, do papado, simplesmente nunca foi aquilo que os católicos acreditavam ser? Talvez um indício de resposta venha do La Stampa de 2015, que publicou algumas das memórias de Silvano Fausti, SJ, confessor e guia espiritual do cardeal Carlo Maria Martini, o chefão da Igreja Católica européia “liberal”[2] e suposto líder da “máfia de Sankt Gallen”, a qual conspirou contra o papa Bento por anos, conforme admitiu o cardeal Danneels.

Fausti disse que Bento se encontrou com Martini no palácio dos bispos em Milão, em junho de 2012. Disse ainda que Martini insistiu que Bento renunciasse ao papado. Aparentemente, na época da sua eleição em 2005, Martini havia dito que sua principal tarefa seria reformar a Curia, coisa que se demonstrou impossível por volta de 2012.

Por que Bento aceitaria conselhos de um homem como Martini – o “chefão” da “ala liberal” do catolicismo europeu? Eu acho que a pergunta nem mesmo ocorreria a um homem como Ratzinger. Eles eram bons colegas na academia. Eram irmãos no episcopado. Qualquer aparência de divisão ideológica entre ambos era, essencialmente, um produto da narrativa midiática. Por que o papa não levaria em conta o conselho do seu mais velho e respeitado cardeal?

Por que Walter Kasper é um cardeal?

Uma das peças mais proeminentes desse quebra-cabeças é que aparentemente os tais prelados “conservadores” não conseguem detectar (e muito menos barrar) os insolentes inimigos da fé em meio ao episcopado e ao colégio de cardeais. É impossível explicar a pessoas comuns como, depois de tantos anos ouvindo e lendo essa gente, Ratzinger ainda manteria tão boa amizade com homens como Walter Kasper e Carlo Maria Martini, os supostos cérebros da máfia de Sankt Gallen.

Quando o papa Francisco, no seu primeiro Angelus, em 2013, contou à multidão o quanto adorava os escritos de Walter Kasper, quase todos nós que tínhamos passado vários anos acompanhando o Vaticano começamos a entender para onde estávamos indo com o novo papa. Jorge Bergoglio podia até ser um desconhecido aos olhos do mundo católico, mas Walter Kasper era um herege célebre; ele era a fachada midiática da “ala ultra-liberal” da Igreja pós-Vaticano II.

Em um artigo sobre a obra do cardeal, Thomas Jansen, editor-chefe do Katholisch.de, observou recentemente que Walter Kasper não teria conseguido fazer o estrago que fez sem a assistência direta de João Paulo II e do papa Bento. O debacle monstruoso da Amoris Laetitia é tanto obra do Kasper quanto do Bergoglio. Este é um homem que, por 40 anos, nunca se incomodou em esconder suas opiniões heterodoxas, tendo devotado a maior parte de sua vida a uma campanha para produzir justamente este resultado.

Jansen chama a atenção para o fato de que Kasper, em 1993, já tinha tentado avançar a mesma proposta de comunhão para divorciados e recasados, junto com Karl Lehmann, outro membro de “Sankt Gallen”. Foi barrado por Ratzinger e a CDF. Mas então vem a próxima pergunta: se Ratzinger sabia muito bem que tipo de criatura era Kasper, por que não o catou pela orelha e lançou-o para fora do episcopado? Por que não lhe deu, no mínimo, o mesmo “tratamento de silêncio” dado a Küng? Kasper foi na mídia recentemente para reclamar por ter sido chamado de herege. Mas é a pura verdade: ele é herege. Todo mundo sabe que ele é herege, porque nós já o escutamos trombetear por décadas as suas heresias descaradas de cima de todos os telhados que ele conseguiu encontrar.

Após trabalhar abertamente contra a fé, ele ganhou de João Paulo II o título de cardeal, ao invés de ser rebaixado, silenciado, laicizado e/ou excomungado. O seu esquema de Amoris-Laetitia-ar a Igreja, lembre-se, foi barrado em 1993 pela CDF de Ratzinger. Ele não foi, porém, nem rebaixado, nem admoestado, nem corrigido em nada. Também não foi removido de postos de influência. Ao contrário: em 1994, Kasper foi enxertado na Cúria Vaticana ao ser nomeado co-presidente da Comissão Internacional para o Diálogo Luterano-Católico. Em 1999, subindo mais um degrau, foi nomeado secretário do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos, o departamento “ecumênico” no qual o seu manifesto indiferentismo religioso pôde reinar livremente. Em 2001 ele foi sagrado cardeal-diácono, com a incrível responsabilidade de votar em um conclave.

Bento, então, permitiu-lhe permanecer cardeal. E, como um toque final ao bolo envenenado que é o envolvimento de Ratzinger na criação do “novo paradigma católico”, agora há o rumor de que Bento calculou o momento exato de sua renúncia de modo a permitir a participação de seu velho colega de academia no conclave de 2013. Jansen chamou a atenção – e Maike Hickson citou num artigo para o One Peter Five – para o seguinte:

“O cardeal Kasper quase não conseguiu entrar no último conclave, porque tinha acabado de fazer 80 anos. Porém, como a data da morte (ou abdicação, como foi o caso em 2013) do papa é decisiva, ele ainda pôde participar e votar naquela eleição. (Alguns observadores notaram que isto foi um gesto de generosidade de Bento XVI em relação ao cardeal Kasper: a renúncia na hora certa.)”

Maike que me desculpe, mas não acho que isto seja um assunto parentético. É mesmo de admirar que tantos católicos tenham ficado ressentidos?

Cardeal Ratzinger, Papa “emérito” Bento – chame-se como quiser – eu tenho uma pergunta muito importante para você responder: Por que este homem ainda é um cardeal? Por que ainda é um bispo? Por que ainda deixam que ele se proclame um “teólogo católico”? Por que você, aparentemente de propósito, assegurou a participação dele no conclave que iria decidir o seu sucessor?

Será que ninguém mais quer saber isto? Não queremos todos saber porque Hans Küng ainda é um sacerdote? Por que deixaram que o cardeal Mahony se aposentasse em boa reputação? Por que um homem como Weakland, aquele homossexual ativo que comprou seu ex-amante, não foi excomungado? Quais são os nomes que todos nós recordamos só assim de cabeça? Meu próprio bispo em Victoria, o ocultista Remi de Roo, o Raymond Hunthausen de Seattle, o Favalora de Miami, o Matthew Clark de Rochester, o Derek Worlock de Liverpool… Às vezes eu fico pensando no tamanho que esta lista vai ter quando tudo isso acabar.

Faz cinqüenta anos que os católicos querem saber porque nada nunca foi feito. Por que deixaram estes lobos no episcopado, atacando continuamente a Igreja ano após ano? Por que nós sempre vimos estes homens – comprometidos intelectual e moralmente – serem elevados a degraus superiores, apesar da insolência inacreditável do seu ódio à fé católica?

O fim do “catolicismo guarda-chuva”

Ross Douhat, do New York Times, é um dos que estão começando a fazer esse tipo de pergunta. Maike Hickson cita um escrito dele sobre esta situação bizarra, na qual cada um dos chamados prelados “da máfia de Sankt Gallen”, inclusive Kasper, que fez campanha pela abolição de fato do ensinamento moral da Igreja[3]: “Algo característico da efetiva trégua na Igreja [entre conservadores e progressistas] foi que o próprio João Paulo II entregou à maioria deles os barretes vermelhos, promovendo-os apesar do desacordo que eles mantinham em relação à sua abordagem restauracionista.”

Quando os jornalistas falam de catolicismo, é comum se referirem a homens tipo Kasper como – está em sua página na Wikipédia – “uma das principais figuras da ala liberal da Igreja Católica.” E supostamente isto deve fazer algum sentido para os católicos, e supostamente temos que aceitar isto como uma realidade de nossos tempos: há uma “ala liberal” e uma “ala conservadora”, e ambas são católicas.

Steve Skojec me disse que a nossa disposição de aceitar toda aquela charada de “papa emérito” foi um erro: “Acho que o problema é termos aceitado o jogo de faz-de-conta deles, quando não deveríamos ter aceitado.” Na verdade, estou começando a achar que a disposição de aceitar toda a charada do catolicismo pós-conciliar, que muitos católicos tiveram, foi um sério erro. Ao entrar no jogo, ao fingir que podíamos ser “católicos conservadores” neste novo paradigma que inclui também “católicos liberais”, nós os ajudamos a perpetrar uma [das] mais monstruosas fraudes da história humana.

Devido a esta mentalidade esquizofrênica da liderança da Igreja desde 1965, acabamos por aceitar a premissa oculta: a de que a Igreja é um “imenso guarda-chuva” com um montão de espaço para pessoas de todas as opiniões pessoais… que temas como a liturgia são questões de “gosto” pessoal… que duas coisas opostas podem ambas ser a verdade católica.

Esta esquizofrenia é o modelo sob o qual os “conservadores” operaram todo esse tempo, e pelo qual eles julgaram que um homem como Joseph Ratzinger é um “conservador e campeão da ortodoxia”. E qual o resultado disto? Isto criou uma fachada para os homens da panelinha de Kasper manobrarem seu homem no trono de Pedro cinco anos atrás.

E assim, de repente, o jargão da “tolerância” e do “imenso guarda-chuva” chega ao fim, e o expurgo dos religiosos, seminaristas, padres e acadêmicos fiéis começa. E tinha que ser assim. Eles ao menos não alimentam esta contradição insana, e entendem – e freqüentemente dizem em voz alta – que o novo paradigma e a Igreja Católica não são a mesma coisa. E sua Nova Igreja é a única que resta.

Por cinco décadas nós brincamos de jogo anglicano: se não falamos sobre o assunto, não existe problema algum. O Santo Ofício de Ottaviani e o schema eram o último suspiro da velha Igreja – que, como de Lubac escreveu acima, foi destruída por Joseph Ratzinger. Depois de um longo hiato, no qual os papas fingiram que nada de essencial estava mudando, enquanto a instituição à sua volta sucumbia ao novo paradigma, uma única coisa ainda restava: o papado.

Uma das coisas que eu venho dizendo a respeito da era Bergoglio – e que é uma benção disfarçada, um enorme alívio – é que finalmente nós podemos abandonar a situação absurda da era Wojtyla/Ratzinger. Todos estes anos nós tivemos que fingir estar em uma “nova primavera do Vaticano II”, enquanto assistíamos a esses lobos em pele de pastor devorando as ovelhas.

Agora, enfim, podemos pelo menos parar de fingir que tudo é fantástico sob o novo paradigma da misericordiosa maravilha conciliar. Para quem ainda está em dúvida, Bergoglio não é um escândalo, e nem mesmo uma surpresa; ele é somente a conclusão lógica. Este pontificado não é uma anomalia; é o único resultado possível, e foi uma obra tanto de Walter Kasper quanto de Joseph Ratzinger.

[1] Tradução de artigo originalmente publicado em 12 de março de 2018 no jornal americano católico The Remnant. Link original: https://remnantnewspaper.com/web/index.php/articles/item/3786-et-tu-benedict-some-final-thoughts-on-joseph-ratzinger

[2] A palavra “liberal”, seguindo a tradição americana, é usada neste artigo como sinônimo de “esquerdista”.

[3] N.T. A frase aqui está aparentemente cortada no original. A idéia é clara, entretanto.

A Causa Palestina

Autor: Guy Millière
Tradução: André Carezia

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Já faz muitos anos que a ‘Palestina’ não cessa de aspirar a novas e grandiosas conquistas na chamada ‘comunidade internacional’. Desde 1996, a ‘Palestina’ já se apresenta nas Olimpíadas; um pouco depois ela se tornou observadora permanente da UNESCO e da ONU. A esmagadora maioria das 95 ‘embaixadas’ da ‘Palestina’ está no mundo islâmico; o resto está na Ásia, na África, na América Latina e na Europa. Em 2014, o parlamento espanhol votou a favor do pleno reconhecimento da ‘Palestina’. Algumas semanas mais tarde, o parlamento francês fez o mesmo.

Não há outro caso, na história do mundo, em que um Estado inexistente consegue estabelecer missões e embaixadas que fingem funcionar como se o Estado de fato existisse.

Agora parece ter chegado a hora dos ‘palestinos’ perceberem que perderam, e voltarem à Terra, como bem observou o estudioso Daniel Pipes.

Será que os líderes ‘palestinos’ demonstram, por seus discursos e ações, que estão prontos para dirigir um Estado que viva em paz com seus vizinhos e com o resto do mundo? Todas as lideranças ‘palestinas’ sempre – e incessantemente – incitaram o terrorismo, e não escondem o desejo de varrer Israel do mapa.

Será que o ‘povo palestino’ ambiciona ter, a longo prazo, um Estado, e viver pacificamente dentro dos limites desse Estado? Em verdade, a resposta é não. O ‘povo palestino’ foi inventado no final dos anos 60 pelos serviços de propaganda dos árabes e dos soviéticos. Em março de 1977, o líder da OLP, Zuheir Mohsen, contou ao jornal holandês Trouw:

“O povo palestino não existe. A criação de um Estado palestino é o único jeito de continuarmos a nossa luta pela unidade árabe, contra o Estado de Israel. Hoje, na realidade, não há diferença entre os jordanianos, os palestinos, os sírios e os libaneses.”

Os relatos da Cisjordânia, depois da guerra dos seis dias, mostram que os árabes se definiam como ‘árabes’ ou ‘jordanianos’ nas entrevistas; evidentemente não sabiam que eram o ‘povo palestino’. Desde então, eles foram instruídos a falar assim. Também foram instruídos que é seu dever matar judeus para ‘libertar a Palestina’. Os palestinos são o primeiro povo inventado para servir de arma de destruição em massa de um outro povo.

Será que ao menos há algum passado histórico para dar legitimidade à ambição de criar um ‘Estado palestino’? Novamente a resposta é não. Não há nenhuma cultura palestina distinta das culturas do mundo árabe islâmico; nenhum monumento que possa ser definido como um monumento histórico ‘palestino’, a menos que se falsifique a história.

Uma pergunta mais básica: um ‘Estado palestino’ hipotético seria economicamente viável? A resposta é não, de novo. Os territórios ocupados pelos movimentos palestinos somente sobrevivem graças à assistência financeira do ocidente.

Como é possível, então, que tantos países se empenhem, durante tanto tempo, em criar um Estado cujos dirigentes seriam provavelmente líderes ‘palestinos’ corruptos e retrógrados; cujos habitantes seriam usados como máquinas de matar; cuja história é inexistente ou falsificada; e cujo potencial econômico parece nulo?

A resposta é simples.

Por baixo desse apoio à criação de um ‘Estado palestino’, esses países perseguem há tempos outros objetivos. Há décadas que os países do mundo islâmico só querem uma coisa, e a querem de modo obsessivo: a destruição de Israel. Eles já tentaram atingir esse objetivo através de guerras convencionais, terrorismo, diplomacia e propaganda. Sempre culparam Israel, e somente ele, por todos os males no Oriente Médio.

Ao mesmo tempo, eles sabem quem são e o que fazem os líderes ‘palestinos’. Sabem que o ‘povo palestino’ foi inventado. Sabem o porquê do povo ‘palestino’ ter sido inventado. Sabem que um ‘Estado palestino’ não será economicamente viável. Mesmo assim, comprometeram-se com uma estratégia feita para desestabilizar e demonizar uma nação não-islâmica: Israel.

Eles chamam os ‘palestinos’ de ‘vítimas’; o terrorismo, de ‘militância’; e a ação de incitar assassinatos, de ‘resistir à ocupação’. Eles têm pisoteado sobre a verdadeira história para substituí-la por mitos.

Eles pressionam os líderes ‘palestinos’ a fazerem ‘negociações’, sabendo muito bem que nunca algum acordo será assinado, e que as negociações terminarão em banho de sangue. Propõem apenas ‘planos de paz’ que sabem que Israel terá que rejeitar – são planos que incluem as ‘linhas do armistício de 1949’ (chamadas ‘linhas Auschwitz’) ou o ‘direito de retorno’ dos ‘refugiados palestinos’, que eram meio milhão em 1949, e quase cinco milhões agora.

Eles reconhecem um ‘Estado palestino’, sabendo porém que o ‘Estado’ que reconhecem não é um Estado, mas um organismo terrorista sem fronteiras e território definidos, imbuído da intenção de derramar mais sangue e criar mais caos. Por meio do tumulto, da chantagem e das mentiras, eles estimulam o resto do mundo a pensar que a situação requer uma intervenção internacional drástica.

Eles sempre dizem que querem um ‘Estado palestino’, mas nunca dizem que querem que esse Estado renuncie ao terrorismo e encerre o conflito. Ao contrário, o que têm feito é se engajar em uma guerra selvagem que há muito tempo esperam vencer.

Durante mais de trinta anos, eles se beneficiaram do apoio da União Soviética. Ela financiou guerras (1967, 1973), terrorismo, diplomacia e propaganda. A União Soviética transformou a empreitada ‘palestina’ em uma causa anti-imperialista – um meio de fortalecer os pontos de vista soviéticos e de neutralizar os inimigos do ocidente. A União Soviética entrou em colapso em 1991, mas os efeitos de seu apoio à ‘causa palestina’ permaneceram por algum tempo. Muitos países hostis ao ocidente ainda apoiam e reconhecem os ‘palestinos’, ao mesmo tempo que fingem ignorar que estão reconhecendo uma organização terrorista. Estão colaborando para a guerra.

Alguns países do mundo ocidental, durante anos sujeitos às pressões do mundo islâmico e da União Soviética, gradualmente foram cedendo; alguns cederam antes mesmo de serem pressionados. A França escolheu o seu lado em 1967, quando o general Charles de Gaulle deu início ao que chamou de ‘política árabe’, após sua derrota na Argélia. A política internacional francesa se tornou decididamente ‘pró-palestina’ – em um aparente esforço de defletir o terrorismo, obter petróleo barato e competir com os EUA – e assim tem sido até os dias de hoje. Os países da Europa ocidental foram aos poucos adotando pontos de vista semelhantes aos da França. Depois do colapso da União Soviética, a União Européia se tornou a principal financiadora da ‘causa palestina’, inclusive de suas ações terroristas. Os líderes da Europa ocidental sabem quais são os objetivos reais, e no entanto repetem sem tréguas que a criação de um ‘Estado palestino’ é ‘essencial’. Também eles estão colaborando para a guerra.

Apesar de serem aliados de longo prazo de Israel, os Estados Unidos mudaram sua política para o Oriente Médio no início dos anos 90, adotando posições mais próximas àquelas do mundo islâmico. Alguns políticos e diplomatas pressionaram os israelenses a negociar com os líderes ‘palestinos’, e aparentemente perderam de vista o que era de fato – e em segredo – a ‘causa palestina’. Os líderes israelenses, cheios de fantasiosas esperanças, concordaram em negociar. O resultado trágico foram os acordos de Oslo e a criação da Autoridade Palestina (AP), que se tornou rapidamente uma base para ações terroristas anti-Israel. Uma onda de ataques letais anti-Israel começou imediatamente, logo seguida de uma aprimorada ofensiva diplomática e propagandística contra Israel. Os líderes americanos, como se tivessem acordado de um sono de vários anos, começaram a falar da necessidade de existência de um ‘Estado palestino’. Três presidentes americanos propuseram ‘planos de paz’, colaborando assim também para a guerra.

Mais um ‘plano de paz’ é aguardado para breve, mas os parâmetros serão completamente diferentes. O presidente Donald Trump parece querer romper com o passado. Recentemente, ele disse ao líder palestino Mahmoud Abbas que os líderes ‘palestinos’ são mentirosos. Nenhum dos negociadores americanos escolhidos por ele parece ter a mais mínima ilusão sobre a liderança ‘palestina’ ou sobre a ‘causa palestina’.

A Lei Taylor Force, aprovada em 5 de dezembro pela Câmara de Representantes dos EUA, tem por intenção condicionar toda ajuda americana à ‘faixa de Gaza’ e à ‘Cisjordânia’ às ‘ações empreendidas pela Autoridade Palestina para encerrar a violência e o terrorismo contra os cidadãos israelenses’; a lei pode ser ratificada em breve pelo Senado. A Autoridade Palestina rejeitou todas as condições da lei.

O mundo islâmico também passa por transformações. O Irã, enormemente fortalecido pelo acordo aprovado em julho de 2015, e pelo gigantesco aporte financeiro americano que veio juntamente com o tal acordo, tem mostrado seu desejo de se tornar um poder hegemônico no Oriente Médio. O regime dos mulás já domina três capitais além de Teerã: Bagdá, Damasco e Beirute. Atacou a Arábia Saudita e apoia a guerra liderada pela milícia Houthi no Iêmen; tem a intenção de capturar Sanaã e se apossar de Bab El Mandeb, único caminho para o Mar Vermelho e o Canal de Suez. O Catar e a Turquia já estabeleceram fortes ligações com o Irã.

Os líderes sauditas parecem estar cientes do perigo. O rei Salman escolheu seu filho, Mohamed bin Salman, como herdeiro do trono, dando-lhe plenos poderes. ‘MBS’ – como é conhecido – parece decidido a liderar uma verdadeira revolução. Em termos militares, ele é o chefe dos 40 membros da Coalizão Militar Islâmica de Contra-Terrorismo, e já declarou sua intenção de ‘dar um fim no terrorismo’. No aspecto econômico, ele está no comando de um projeto ambicioso de reforma que pretende fazer seu país ficar menos dependente do petróleo: o Visão 2030. Foram presos todos os líderes sauditas que não concordam com as novas orientações, e seus bens foram confiscados. Mohamed bin Salman identificou o Irã como o seu principal inimigo, e recentemente descreveu seu líder supremo, Ali Khamenei, como um ‘novo Hitler’. O Catar e a Turquia já estão sob intensa pressão saudita para que se distanciem do regime iraniano. O grão-mufti da Arábia Saudita, Abdulaziz ibn Abdullah al ash-Sheikh, há pouco tempo emitiu uma fatwa dizendo que ‘lutar contra os judeus’ é ‘contrário à vontade’ de Alá, e que o Hamas é uma organização terrorista.

Mohamed bin Salman tem o apoio do governo Trump; de Vladimir Putin, que parece desejar um equilíbrio de forças do Oriente Médio, embora seja aliado do Irã; e de Xi Jinping, que enfrenta o risco de uma rebelião islâmica sunita em Xinjiang, um território autônomo chinês.

O líder ‘palestino’, Mahmoud Abbas, foi aparentemente convocado a Riad, onde o rei Salman e Mohamed bin Salman disseram-lhe para aceitar o plano proposto pelo governo Trump, ou renunciar. Disseram-lhe também que lhe seria ‘arriscado’ considerar a incitação de um levante – ele o fez mesmo assim, embora com o cuidado de mantê-lo frouxo e pouco expressivo.

No mês de outubro, o presidente egípcio Abdel Fattah al-Sisi, aliado de Mohamed bin Salman, convidou os líderes da Autoridade Palestina e do Hamas para uma ‘reconciliação’ na cidade do Cairo. Aparentemente ele exigiu que o controle da Faixa de Gaza seja passado à Autoridade Palestina. Parece também que o governo Trump e o presidente Sisi disseram aos líderes do Hamas que eles teriam que aprovar os termos do acordo de ‘reconciliação’, e que eles correriam o risco de uma destruição completa caso empreendessem qualquer ataque contra Israel.

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O ‘plano de paz’ que o governo Trump vai evidentemente apresentar já provoca o extremo ódio dos líderes ‘palestinos’. O objetivo do ‘plano’ parece ser o de reavivar um ‘processo de paz’ indeterminado, que permita à Arábia Saudita e aos membros da Coalizão Militar Islâmica de Contra-Terrorismo se aproximarem de Israel, jogando a ‘causa palestina’ para o fim da fila.

No dia 19 de novembro, uma reunião de emergência da Liga Árabe no Cairo condenou veementemente o Hezbollah e o Irã. Além do mais, pela primeira vez em cinqüenta anos, uma reunião da Liga Árabe nem sequer mencionou a questão ‘palestina’.

O reconhecimento de Jerusalém como a capital de Israel, feito pelo presidente Trump em 6 de dezembro, causou rebuliço e acrimônia tanto no mundo islâmico quanto nas lideranças da Europa ocidental. Entretanto, os líderes sunitas aliados à Arábia Saudita, bem como a própria Arábia Saudita, parecem suficientemente ocupados com a ameaça iraniana para altercar com Israel, Estados Unidos ou qualquer outro. A Europa ocidental quase não tem peso algum sobre o que está acontecendo; o máximo que tem demonstrado é covardia, medo, e um contínuo desdém por uma democracia que é amiga do ocidente: Israel.

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, agora no décimo segundo ano de seu mandato de quatro anos – e vendo aparentemente que tem pouco apoio – parece ter ido buscar uma intervenção divina: foi pedir ajuda ao papa. “Não é possível haver um Estado palestino sem a Jerusalém oriental como sua capital”, disse Abbas, dando mostras de que começou a entender que a ‘causa palestina’ pode estar se esvaindo. Não obstante, junto com outros líderes ‘palestinos’, convocou ‘três dias de fúria’. Alguns poucos manifestantes queimaram pneus e bandeiras americanas – o de sempre.

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, pediu à Organização de Cooperação Islâmica para se reunir em Istambul em 13 de dezembro, e compeliu os líderes dos países islâmicos a reconhecerem com urgência Jerusalém como ‘capital ocupada do Estado palestino’. O rei saudita Salman ficou bem à distância, e o mesmo fizeram quase todos os outros líderes sunitas. Ele apenas enviou uma mensagem dizendo que pede uma “solução política para resolver a crise regional”. E acrescentou que os “palestinos têm direito à Jerusalém oriental” – o mínimo que podia fazer, e mais nada fez. Erdogan é apoiado principalmente pelo Irã, que hoje é o mais importante inimigo da Arábia Saudita e de outros países sunitas.

“Não será o fim da guerra contra Israel”, disse o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, “mas pode ser o início do fim da causa palestina”.

Agora parece ser um bom momento para os líderes da Europa ocidental, que ainda apoiam cegamente a ‘causa palestina’, acabarem com suas perdas, tanto políticas quanto econômicas. Ficar do lado de Erdogan e dos mulás, só para apoiar uma organização terrorista que nunca será um ‘Estado’, não vai lhes servir em nada no combate ao terrorismo ou à crescente islamização da Europa.


(Traduzido do artigo original em inglês intitulado “Twilight over the Palestinian Cause”, publicado em 21 de dezembro de 2017 no site gatestoneinstitute.org. O autor, Dr. Guy Millière, é professor na Universidade de Paris e tem 27 livros publicados na França e na Europa.)

O Papa Francisco é um Protestante Esquerdista?

Autor: Gerald McDermott[*]
Tradução: André Carezia

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“O papa é católico?” Por mais de um século, era assim que nós os anglicanos brincávamos a respeito de qualquer coisa que parecesse muito óbvia. Mas agora precisamos perguntar – a sério – se o papa é ou não um protestante esquerdista.

No começo deste mês, um teólogo americano foi pressionado a pedir demissão de seu cargo de conselheiro teológico na Conferência dos Bispos Católicos dos EUA (USCCB). O que o Pe. Thomas Weinandy fez para merecer esta reprimenda pública? Ele tornou pública uma carta de julho ao papa, na qual ele acusava o Santo Padre de estar causando uma “confusão crônica”. A exortação apostólica Amoris Laetitia, escrita pelo papa, é “intencionalmente ambígua” em temas importantes de moral e doutrina. Ela “corre o risco de pecar contra o Espírito Santo, o Espírito da verdade”, e “diminui a importância da doutrina cristã” ao incentivar mudanças no ensino tradicional católico a respeito do matrimônio e do divórcio. O papa “ressente-se” com as críticas, e “zomba” daqueles que contestam a Amoris Laetitia chamando-os de “fariseus atiradores de pedras”.

Eu, sendo alguém de fora, não posso deixar de me perguntar se o papa e a USCCB não se sentiram especialmente provocados pela sugestão, feita por Weinandy, de que Jesus permitiu esta polêmica com a intenção “tornar manifesta a fraqueza de fé de muitos dentro da Igreja, mesmo entre muitos de seus bispos”. Os católicos que se decidam – mas eu admito que tenho muitas dúvidas a respeito da fé do papa Francisco, a qual parece, se não fraca, ao menos diferente daquela que se acha na tradição católica.

Antes mesmo da publicação de Amoris Laetitia em março de 2016, Francisco já tinha levado muitos a duvidarem de sua fidelidade a esta tradição. Em 2014, o relatório intermediário do Sínodo Extraordinário da Família recomendava aos pastores enfatizarem os “aspectos positivos” da coabitação e de um novo casamento civil após um divórcio. Ele afirmou que a multiplicação dos pães e peixes, feita por Jesus, era na verdade um milagre de partilha, e não de multiplicação (2013); disse a uma mulher que ela podia receber a Sagrada Comunhão mesmo sendo casada invalidamente (2014); postulou que as almas perdidas não vão para o inferno (2015); e afirmou que Jesus havia suplicado o perdão de seus pais (2015). Em 2016, ele disse que Deus havia sido “injusto com Seu filho”, anunciou suas orações pela intenção de construir uma sociedade que “coloque a pessoa humana no centro”, e declarou que a desigualdade é “o maior mal que existe”. Em 2017, fez uma piada: “no interior da Santíssima Trindade eles discutem a portas fechadas, mas externamente dão a impressão de unidade”. Jesus Cristo, afirmou, “se fez de diabo”. “Nenhuma guerra é justa”, pronunciou. Ao final da história, “tudo será salvo. Tudo”.

Weinandy e outros críticos católicos já destacaram afirmações e sugestões alarmantes na própria Amoris Laetitia. A exortação declara que “ninguém pode ser condenado para sempre, porque esta não é a lógica do Evangelho!” Em dezembro de 2016, os filósofos católicos John Finnis e Germain Grisez argumentaram em “Abusando de Amoris Laetitia” que, muito embora essa afirmação reflita uma tendência entre pensadores católicos desde Karl Rahner e Hans Urs von Balthasar, ela contradiz as claras afirmações dos Evangelhos e os ensinamentos tradicionais católicos: há sim “punição sem fim” no inferno. Finnis e Grisez criticam o raciocínio de Amoris Laetitia quando afirma que alguns fiéis são muito fracos para obedecer os mandamentos de Deus, e que podem viver em estado de graça mesmo cometendo, habitual e continuamente, pecados “em matéria grave”. Imitando o que Joseph Fletcher – um episcopaliano – ensinava em suas aulas de “ética situacional” em 1960, a exortação sugere que há exceções em todas as regras morais, e que simplesmente não existe algo como um “ato intrinsecamente mau”.

Não sinto prazer com a agonia de Roma. Por décadas, os anglicanos ortodoxos e outros protestantes em luta para resistir às apostasias do cristianismo esquerdista acostumaram a olhar para Roma em busca de apoio moral e teológico. A maioria dos anglicanos reconhecia estar lutando contra a revolução sexual, que se apropriou da Igreja Episcopal – e também da sua matriz do outro lado do oceano – e corrompeu-a. Primeiro foi a santidade da vida e a eutanásia. Depois foi a prática homossexual. E agora o casamento gay e a ideologia transgênera. Durante os pontificados de João Paulo II e Bento XVI, nós que não somos católicos e estávamos debatendo teologia moral podíamos nos apoiar em argumentos embasados e convincentes emanando de Roma e dizer: com efeito, “a porção mais velha e maior do corpo de Cristo concorda conosco, e o faz com notável sofisticação.”

Aqueles de nós que continuam a lutar pela ortodoxia, tanto em teologia dogmática quanto em teologia moral, sentem falta dos dias em que havia um farol claro brilhando do outro lado do Tibre. Porque agora, ao que parece, até Roma foi infiltrada pela revolução sexual. O centro não está aguentando[**].

Embora perturbados, nós não devemos desesperar. Pois a demonstração de coragem e de princípios feita por Tom Weinandy nos recorda que Deus acende luzes proféticas quando dias obscuros rondam a Sua Igreja.


[*] Traduzido do artigo original “Is Pope Francis a Liberal Protestant?”, escrito por um teólogo anglicano e publicado em novembro/2017 na revista First Things.

[**] No original: “the center is not holding”. A frase é do poema “The Second Coming”, publicado em 1920 pelo poeta irlandês William Butler Yeats.

Impedindo um Novo Eixo do Mal

Autor: Constantine C. Menges
Tradução: André Carezia

Versão em PDF.

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Uma nova ameaça terrorista, envolvendo armas nucleares e mísseis balísticos, pode muito bem vir de um novo eixo que inclui a Cuba de Fidel Castro, o regime de Chávez na Venezuela e um presidente radical eleito no Brasil. Tudo isso conectado ao Iraque, Irã e China. Em visita ao Irã no ano passado, o Sr. Castro dizia: “Irã e Cuba podem colocar os EUA de joelhos”, ao mesmo tempo em que Chávez expressava sua admiração por Saddam Hussein durante uma visita ao Iraque.

O novo eixo ainda é evitável, mas se o candidato pró-Castro for eleito presidente do Brasil, os efeitos podem incluir um regime radical no Brasil, com o restabelecimento dos programas de armas nucleares de mísseis balísticos, a criação de fortes laços com financiadores estatais do terrorismo, como Cuba, Iraque e Irã, e a participação na desestabilização das frágeis democracias circunvizinhas. Isso pode fazer com que 300 milhões de pessoas em seis países fiquem sob o controle de regimes radicais e anti-americanos, e pode permitir que milhares de novos terroristas doutrinados tentem atacar os Estados Unidos a partir da América Latina. Apesar disso, o governo em Washington parece estar dando pouca atenção à coisa.

Os brasileiros terão eleições presidenciais em outubro. Se as pesquisas estiverem certas, o vencedor poderá ser um radical pró-Castro com conexões fortes com o terrorismo internacional. O nome dele é Luis Inácio da Silva, o candidato presidencial do Partido dos Trabalhadores, e tem hoje mais ou menos 40% nas pesquisas. O candidato do Partido Comunista tem 25%, e o adversário pró-democracia tem aproximadamente 14%.

O Sr. da Silva não esconde suas simpatias. Ele já é um aliado do Sr. Castro há mais de 25 anos. Em 1990, com o apoio do Sr. Castro, o Sr. da Silva fundou o Foro de São Paulo para ser um encontro anual de organizações comunistas e de outras organizações terroristas radicais e políticas da América Latina, Europa e Oriente Médio. Esse Foro tem sido usado para coordenar e planejar atividades políticas e ataques terroristas ao redor do mundo e contra os Estados Unidos. O último encontro correu em Havana, Cuba, em dezembro de 2001. Envolveu terroristas da América Latina, Europa e Oriente Médio, e condenou agressivamente a administração Bush e suas ações contra o terrorismo internacional.

O Sr. da Silva, assim como o Sr. Castro, culpa os Estados Unidos e o “neoliberalismo” por todos os verdadeiros problemas sociais e econômicos ainda enfrentados pelo Brasil e pela América Latina. O Sr. da Silva afirmou que a Área de Livre Comércio das Américas é um complô americano para “anexar” o Brasil, e chegou a chamar de “terroristas econômicos” os credores internacionais que buscam receber de volta seus empréstimos de 250 bilhões de dólares. Também chamou de “terroristas econômicos” aqueles que estão tirando dinheiro do Brasil por medo de seu governo. Isso dá uma idéia de que tipo de “guerra contra o terrorismo” seu governo vai travar.

O Brasil é um país vasto e rico, quase do tamanho dos Estados Unidos, com cerca de 180 milhões de habitantes, e a oitava economia do mundo (PIB: mais de 1,1 trilhões de dólares). Além disto, pode ser que se junte em breve às potências nucleares do mundo. Entre 1965 e 1994, os militares trabalharam ativamente para desenvolver armas nucleares. Projetaram com sucesso duas bombas atômicas, e aparentemente estavam na iminência de testar um dispositivo nuclear quando um novo governo democrático foi eleito e uma investigação do Congresso fez com que o programa fosse encerrado.

Essa investigação revelou, porém, que os militares haviam vendido oito toneladas de urânio para o Iraque em 1981. Também revelou que, depois do encerramento do programa brasileiro de mísseis balísticos, o general e 24 cientistas passaram a trabalhar para o Iraque. Há relatos de que um certo potencial de armas nucleares foi mantido secretamente, com financiamento do Iraque, contrariando ordens das lideranças democráticas civis.

O Sr. da Silva afirmou que o Brasil deveria ter armas nucleares e se aproximar da China, a qual tem cortejado ativamente os militares brasileiros. A China já vendeu urânio enriquecido para o Brasil, e já investiu na indústria aeroespacial brasileira, tendo como resultado um satélite usado em imagens e reconhecimento.

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O Brasil faz fronteira com dez outros países na América do Sul. Este fato seria de grande auxílio para Lula poder copiar — como ele disse que faria — a política internacional do regime chavista da Venezuela, que é pró-Castro e pró-Iraque, e que já deu apoio aos comunistas e narco-terroristas das FARC na Colômbia e a outros grupos anti-democráticos em outros países da América do Sul. Dois anos atrás, Hugo Chavez trabalhou com o Sr. Castro para desestabilizar temporariamente a frágil democracia do Equador. Agora ambos apóiam o líder socialista dos plantadores de coca, Evo Morales, que espera se tornar o presidente da Bolívia agora em agosto [de 2002].

Além de ajudar as guerrilhas comunistas a chegarem ao poder na conflituosa democracia colombiana, um regime de Da Silva no Brasil estaria muito bem situado para auxiliar os comunistas, os narco-terroristas e outros grupos anti-democráticos a desestabilizar as frágeis democracias da Bolívia, do Equador e do Peru. Também seria de grande valia na exploração [política] da profunda da crise econômica que há na Argentina e no Paraguai.

Um regime de Da Silva, além do mais, provavelmente iria suspender o pagamento de suas dívidas, provocando uma grave crise econômica em toda a América Latina, e deixando portanto suas democracias ainda mais vulneráveis. Com a conseqüente contração dos mercados de exportação, isto poderia também gerar uma segunda fase da crise econômica nos Estados Unidos.

Um eixo Castro-Chavez-da Silva significaria conectar 43 anos da guerra política de Fidel Castro contra os EUA com a riqueza petrolífera da Venezuela e o potencial econômico e de armas nucleares/mísseis balísticos do Brasil.

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Quando chegarem nossas eleições em novembro de 2004, os americanos poderão perguntar: quem deixou a América do Sul se perder? Os Estados Unidos ficaram passivos politicamente durante a administração Clinton, ignorando os clamores dos líderes democráticos venezuelanos por um auxílio na oposição às ações ilegais e anti-constitucionais do Sr. Chavez. Ignoraram também suas alianças públicas com os financiadores estatais do terrorismo. Por que a administração Bush não age antes que 20 anos de vitórias democráticas se percam na América Latina? Por que nada se faz antes que um vasto e novo flanco seja aberto pelo lado sul da ameaça terrorista, e nossa nação seja ameaçada por mais um regime radical anti-americano, com intenções de possuir armamento nuclear e mísseis balísticos?

Este desastre, tanto para a segurança nacional dos EUA quanto para os povos da América Latina, pode ser impedido se os nossos legisladores agirem com rapidez e decisão. Mas tem que ser agora. Os EUA e outras democracias devem dar atenção política e tomar atitudes. Isso inclui o encorajamento aos partidos pró-democracia no Brasil para que se unam um torno de um líder político capaz e honesto, que possa representar as esperanças da maioria dos brasileiros em uma autêntica democracia, e que tenha os recursos para montar uma efetiva campanha nacional.


Traduzido do original em inglês, publicado em 7 de agosto de 2002 no jornal conservador The Washington Times.

Obama Aplica Sanções à Rússia por Revelar a Verdade

Autor: Christopher A. Ferrara, in The Remnant, edição de 30/dez/2016
Tradução: André Carezia

Em retaliação ao suposto vazamento de emails do Comitê Nacional Democrata e de seu Conselheiro John Podesta, o presidente Obama anunciou a expulsão de 35 diplomatas russos e o fechamento de dois complexos diplomáticos russos (em Nova Iorque e Maryland).

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“Nunca mais se permitirá aos hackers russos revelar a verdade sobre as maquinações de meu partido”, afirmou Obama em seu pronunciamento sobre as sanções. “Essa interferência em nosso processo político corrupto é intolerável”.

A Rússia negou qualquer envolvimento no vazamento, e Julian Assange, líder da WikiLeaks, insistiu que o governo russo não foi a origem dos emails que a WikiLeaks publicou. A administração Obama ainda não liberou as evidências do envolvimento russo, mas enquanto isso as fontes de inteligência na comunidade de inteligência já chegaram a um consenso de que a Rússia está por trás do vazamento, baseado em evidência que não pode ser publicada porque é “top secret” e não pode ser vista por ninguém — nem mesmo dentro de uma sessão fechada no Congresso. “Nem mesmo aqueles que descobriram essa evidência podem vê-la, de tão ‘top secret’ que é”, afirmou Ben Nascosto, porta-voz da CIA.

Obama prometeu, porém, que a sua administração vai liberar um relatório do consenso das fontes de inteligência na comunidade de inteligência, bem a tempo de cobrir com uma sombra a posse do presidente Trump, que “não teria sido eleito se a Rússia não tivesse envergonhado a Hillary”, afirmou uma fonte do CND envolvida no relatório de inteligência. O relatório não vai incluir a evidência “top secret”, porque ela ainda será “top secret”.

“Certamente nós não podemos permitir que a Rússia saiba que há um consenso sobre a Rússia estar por trás do vazamento, porque então os russos vão saber como chegamos aos consensos, processo que é ele mesmo ‘top secret'”, disse Nascosto. “As pessoas que exigem ver a evidência não entendem como a comunidade de inteligência trabalha. Para um consenso da comunidade de inteligência, a evidência primária é o consenso. Não chegaríamos a um consenso sobre a Rússia estar por trás disso se não estivéssemos convencidos de que tem que ser a Rússia. Esta convicção é a base para o nosso consenso.”

“É simplesmente ultrajante que o Trump não leve a sério o consenso da comunidade de inteligência”, afirmou John Podesta em comentários que fez sobre as sanções. “Eu acho alarmante que o homem prestes a ser empossado como Presidente não tenha uma fé implícita na confiabilidade da CIA em especial — como se esta venerável agência de inteligência fosse espalhar desinformação ou colocar as cabeças das pessoas a prêmio, como Putin faz. Como é que alguém pode governar este país sem confiar na CIA?”

Vladimir Putin, ao comentar as sanções durante uma conferência de imprensa em Moscou, observou: “É uma piada isso, não é? Não? 35 dos nossos, expulsos? Por gritarem ‘a Rússia não está envolvida’! Eu falei para aquele palhaço do Obama quando nos encontramos da última vez, e ele me disse para ‘parar com isso’. Parar com o quê? Que tal alguma evidência? Mal posso esperar a posse do Trump, de modo que eu possa lidar com um adulto. Dá um tempo…”

Ao ser questionado sobre o porquê de não haver sanções anteriores a supostos vazamentos russos envolvendo informação confidencial em bases de dados de agências federais, comprometendo a segurança nacional, o Obama respondeu: “Aqueles não foram nada pessoal, apenas espionagem. Nós fazemos com eles, e eles fazem conosco. Mas agora estamos falando da Hillary e a vez dela ser presidente. Se não fosse a interferência russa, meu legado de aborto, contracepção, sodomia, banheiros transgêneros, imigração ilegal em massa, disseminação do terror islâmico e saúde inacessível teria ficado intacto com ela. Esta ultrajante interferência na tolice do processo democrático não pode ficar impune. A Rússia deve pagar e o povo americano deve saber que a Rússia roubou esta eleição para o Trump, de acordo com o consenso da comunidade de inteligência, não importando quantos votos do colégio eleitoral ele supostamente ganhou. E, como sabemos, a Hillary ganhou o voto popular em Los Angeles e Nova Iorque. É isso aí.”

Em vista do ataque russo às eleições, o ator Martin Sheen formou uma coalizão de celebridades e estratégicas do Partido Democrata, em outra tentativa desesperada de impedir que Trump assuma o poder. A Coalizão das Caixas de Mogno tem por objetivo impedir o Congresso de contar os votos eleitorais depositados nas tradicionais caixas de mogno pelos colégios eleitorais que votaram em cada estado antes de serem enviados a Washington para a contagem na sessão conjunta do Congresso no dia 6 de janeiro.

“Quem disse que eles têm que abrir aquelas porcarias de caixas?”, perguntou Sheen. “Se as caixas ficarem fechadas, nenhum voto eleitoral poderá ser contado, e Trump não será Presidente. É simples assim. Os membros do Congresso têm o dever constitucional de não abrir aquelas caixas. Os sábios Fundadores planejaram aquelas caixas como a última linha de defesa contra a possibilidade de um maníaco perigoso e homofóbico se tornar presidente e lançar todos os nossos mísseis nucleares em direção ao primeiro país que o importunar.”

Uma petição online com o título “Deixe as Caixas Fechadas” já obteve 10 milhões de assinaturas de pelo menos 5 mil pessoas.