A Consagração: Última Ceia e Calvário

(Artigo original em inglês, de autoria do Padre Ladis J. Cizik, publicado no jornal americano The Remnant em 23 de março de 2016.)

Tradução: André Carezia

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In Nomine Patris, et Filii, et Spiritus Sancti. Amen.

“Ceia do Senhor” é uma expressão bíblica que foi adotada durante a ‘de’-formação protestante da Igreja, com o objetivo de negar a natureza de sacrifício da Missa, e trocá-la por um simples “memorial”. Protestantes e modernistas[1] se esforçam por separar o sacrifício no Calvário, centrado em Cristo, do santo sacrifício da Missa, transformando um evento solene em um “lanche feliz” centrado na comunidade. Entretanto, tanto as sagradas Escrituras quanto a sagrada Tradição afirmam que o Calvário estava onipresente já na primeira Missa oferecida na história. Aquela primeira Missa no Cenáculo foi a última ceia na qual Nosso Senhor e Deus, Jesus Cristo, antecipou Sua morte salvadora no Calvário.

santa ceia

A última ceia, a primeira Missa, não foi uma “refeição memorial” em consideração ao fato de que Cristo ainda não havia morrido na cruz. A última ceia apresenta uma espécie de catequese sobre a presença real de Cristo no Santíssimo Sacramento, a instituição da ordenação sacerdotal e a natureza de sacrifício da Missa. As orações da Consagração no Missal Romano tradicional (Missale Romanum) evocam a morte-sacrifício de Nosso Senhor no Calvário dentro do contexto das palavras e ações de Jesus na última ceia. Na pessoa de Cristo (in persona Christi), o sacerdote católico segue as palavras e gestos de Jesus na última ceia, consagrando e transformando pão e vinho no corpo, sangue, alma e divindade da segunda pessoa da Santíssima Trindade.

Pelo uso de “matéria e forma” apropriadas, as mesmas matéria e forma que Jesus usou na última ceia, e com a “intenção” adequada do sacerdote, o milagre da transubstanciação acontece. Assim, o Rito Romano da Igreja Católica prescreve que a “matéria” adequada à Eucaristia precisa ser o pão ázimo[2] e o vinho de uva natural. Pão ázimo é aquele que Jesus teria usado em Sua última ceia de Páscoa. O Antigo Testamento nos conta que o povo judeu só deveria comer pão ázimo todos os anos durante a Páscoa, como forma de comemorar seu êxodo do cativeiro egípcio[3]. De modo similar, o pão sem fermento que Jesus teria usado na última ceia pascal representaria o êxodo do pecado e da morte, que ocorreu para Seus seguidores após Sua morte salvífica e gloriosa ressurreição. Note que o fermento na bíblia é quase sempre símbolo do pecado[4]. Um pecado grave é o que ocorre quando o pão fermentado é introduzido na Missa católica de rito romano – embora o Concílio de Florença (século 15) confirme o entendimento corrente de que tal Missa ilícita continua sendo válida.

A “forma” apropriada para transformar pão e vinho em corpo e sangue de Cristo são as “palavras da consagração” (também chamadas palavras da instituição). Estas palavras sagradas são o centro espiritual e pináculo da Missa. O coração da Missa é a consagração. O Dr. Nicholas Gihr declara em sua obra clássica, O Santo Sacrifício da Missa: “O momento da consagração é o momento mais importante e solene, o fruto mais sublime e santo de toda a celebração do Sacrifício; pois neste momento é completada aquela obra gloriosa e inapreensivelmente profunda, o Sacrifício Eucarístico, no qual todas as maravilhas do amor de Deus estão concentradas como em um foco de calor e luz. A mudança de pão e vinho no corpo e sangue de Cristo só pode provir dEle, pois ‘só Ele operou maravilhosos prodígios’: é um ato de onipotência criativa. Mas este ato de supremo poder requer um ato humano, um cooperação humana da parte do sacerdote ordenado.”[5] Para uma Missa ser válida, o sacerdote ordenado validamente deve ter a “intenção” de transformar pão e vinho no corpo e sangue de Cristo. São Tomás de Aquino afirma: “a intenção [do sacerdote] é exigida; por meio dela ele se sujeita ao agente principal; ou seja, é necessário que ele tenha a intenção de fazer o que Cristo e a Igreja fazem.”[6]

Imediatamente antes das palavras da consagração vem a oração Qui pridie. O sacerdote nos leva misticamente à “véspera de sua paixão”, quando Jesus tomou o pão em Suas santas e veneráveis mãos (sanctas, ac venerabiles manus suas). Neste instante, o sacerdote já passou seus “dedos canônicos” (polegares e indicadores) no corporal para melhor purificá-los antes de segurar a hóstia com estes quatro dedos apenas. Ao pronunciar elevatis oculis in caelum, o sacerdote, in persona Christi, eleva os olhos para o céu em direção a Deus, o Pai todo-poderoso, dá-Lhe graças (com uma inclinação da cabeça) e abençoa (benedixit) a hóstia. O sacerdote relembra então Jesus partindo o pão e dando-o aos discípulos, enquanto dá voz às palavras de Nosso Senhor: tomai e comei dele, todos (Accipite, et manducate ex hoc omnes).

Observe que o sacerdote não está apenas lendo uma narrativa de um evento do passado; ele está ‘re’-presentando, in persona Christi, o evento por meio das palavras e ações simultâneas do próprio Jesus Cristo. Cristo não está lendo uma “narrativa da instituição” no pretérito. O Cristo-sacerdote não está meramente repetindo as palavras de uma antiga história de uma refeição que está “feita e encerrada”. Cristo está agindo no presente através do sacerdote. É por isso que dizemos que o santo sacrifício da Missa é a ‘re’-presentação incruenta do sacrifício de Cristo no calvário.

Profundamente reclinado sobre o corporal, com os antebraços apoiados na borda do altar (significando sua união com Cristo representado pelo altar), segurando a hóstia com os dedos canônicos de ambas as mãos, o sacerdote pronuncia as palavras da consagração sobre o pão. No missal da Missa Tridentina, as palavras da consagração são impressas com uma letra de tamanho duplo em relação ao resto do texto, e em negrito, para que se destaquem. O sacerdote, com os olhos postos na hóstia, deve dar voz às palavras de Cristo de maneira clara e atenta, sem pausas e num sussurro:

HOC EST ENIM CORPUS MEUM.

Tradução: “Pois isto é o meu corpo.” A hóstia agora É a presença real de Cristo na Eucaristia: Seu corpo, sangue, alma e divindade. Note que, assim como a carne humana contém sangue, também a Igreja ensina que o corpo e o sangue de Jesus Cristo estão presentes em cada espécie eucarística. Ninguém precisa “beber do cálice”, como dizem na Missa Novus Ordo, para receber o precioso sangue de Cristo. Jesus está completo e inteiro na hóstia consagrada. Isto corrobora a prática da Missa Tridentina, na qual a Santa Comunhão é distribuída apenas sob a aparência do pão. As palavras “isto é o meu corpo” aparecem nos quatro relatos bíblicos da Última Ceia[7]. A palavra “pois” não aparece nos relatos bíblicos, mas é considerada como sendo parte da Sagrada Tradição, como uma palavra que o Senhor teria dito.

Note que, depois de consagrar a Sagrada Hóstia, o sacerdote não separará mais seus polegares e indicadores, exceto para segurar o Santíssimo Sacramento, até que eles estejam “purificados” após a santa comunhão. Isto para assegurar que toda partícula da hóstia restante nos dedos seja consumida de maneira reverente durante as abluções. Além do mais, deste momento em diante, o sacerdote fará uma genuflexão honrosa antes e depois de cada toque que fizer na Sagrada Hóstia.

Depois da consagração da hóstia sagrada, o sacerdote segue para a oração simili modo, não sem antes retirar a pala do cálice. A oração inicia seguindo as ações e palavras de Jesus na Última Ceia: do mesmo modo (simili modo), depois da ceia, Ele tomou também o precioso cálice em Suas santas e veneráveis mãos (aqui o sacerdote eleva o cálice ligeiramente acima do corporal com ambas as mãos), deu graças ao Pai (inclinando a cabeça), abençoou-o (o sacerdote faz o sinal da cruz sobre o cálice) e deu-o a Seus discípulos dizendo: tomai e bebei dele todos vós (Accipite, et bibite ex eo omnes). Segurando o cálice nas mãos, um pouco acima do corporal, profundamente inclinado sobre o altar com os antebraços na borda (significando sua união com Cristo, representado pelo altar), o sacerdote dá voz às palavras de Cristo sobre o vinho, de maneira clara e atenta, e num sussurro:

HIC EST ENIM CALIX SANGUINIS MEI, NOVI ET AETERNI TESTAMENTI: MYSTERIUM FIDEI: QUI PRO VOBIS ET PRO MULTIS EFFUNDETUR IN REMISSIONEM PECCATORUM.

Tradução: “Pois este é o cálice do meu sangue, sangue do novo e eterno testamento (mistério da fé), o qual será derramado por vós e por muitos para remissão dos pecados.” Com relação às palavras “pois este é o cálice do meu sangue”, Gihr opina: “De acordo com a opinião geral, estas palavras e somente elas constituem a fórmula essencial da consagração do cálice; pois elas significam e tornam realidade a presença do sangue de Cristo sob a aparência do vinho.”[8] E continua dizendo: “As palavras seguintes… são acrescentadas por serem apropriadas. É aceitação comum que elas foram ditas alguma vez pelo próprio Senhor; além do mais, elas explicam a dignidade e os efeitos deste Sacrifício.”

Todas as outras palavras da consagração do vinho podem ser encontradas em um ou mais relatos da Última Ceia, exceto por “eterno” e “mistério da fé”. Estas palavras que não estão na Bíblia, incluindo “pois” (já mencionada acima na consagração do pão), têm origem na outra fonte da verdade católica: a Tradição Sagrada, tão válida quanto a Sagrada Escritura. Lembre que o santo sacrifício da Missa era celebrado pelos apóstolos antes mesmo da Igreja Católica elaborar a seção do Novo Testamento da Bíblia. Em especial, o papa Leão IX declarou que as palavras mysterium fidei (mistério da fé) são uma “tradição transmitida por São Pedro, o autor da liturgia romana.” De fato, São Pedro, o primeiro papa, escutou Nosso Senhor falar na Última Ceia e presidiu em Roma, onde morreu e está sepultado. As palavras “novo e eterno testamento” (ou seja: nova e eterna aliança) são essenciais ao entendimento católico de que a Nova Aliança, selada pelo sangue de Cristo, aboliu completamente e para sempre a Antiga Aliança, a qual existia para durar apenas temporariamente até a vinda do Messias, nosso Senhor e nosso Deus, Jesus Cristo[9].

As palavras da consagração incluem: qui pro vobis et pro multis effundetur in remissionem peccatorum (o qual será derramado por vós e por muitos para remissão dos pecados). Embora estas palavras nunca tenham mudado na Missa Tridentina, é incrível que as palavras pro multis tenham sido traduzidas incorretamente e de propósito quando da introdução da Missa Novus Ordo na língua inglesa[10], passando a ser lidas como “por todos” (pro omnibus). Mudar as palavras de Cristo foi um insulto feito para apoiar o pensamento modernista e herético de que TODOS são salvos; e para reforçar a heresia do indiferentismo religioso, o qual alega que não importa a religião – ou a falta dela – que o sujeito professa, já que todo mundo vai para o céu. Os estudos feitos levaram muitos a crer que a tradução errada e proposital invalidava a Missa Novus Ordo. Após quarenta longos anos de confusão, escândalo e profunda angústia, a tradução inglesa voltou ao correto “por muitos” (pro multis), por ordem do papa Bento XVI[11]. Isto é um exemplo de como a Missa Tridentina serve de guardiã da fé: pelo Cânon estar livre de erros[12], pelo Cânon nunca ter sido alterado, e pelo Missale Romanum tradicional estar somente em latim.

Note que effundetur in remissionem peccatorum é assim compreendido: o sangue de Cristo foi derramado pela remissão dos pecados: todos os pecados desde o pecado original de Adão e Eva; e todos os outros pecados passados, presentes e futuros. Entretanto, “nem todos recebem o benefício de Sua morte, mas apenas aqueles aos quais o mérito de Sua paixão é comunicado.”[13] Sendo assim, nem todo mundo é salvo: “Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado”[14]; “em nenhum outro há salvação, porque debaixo do céu nenhum outro nome foi dado aos homens, pelo qual devamos ser salvos”[15]; “trabalhai na vossa salvação com temor e tremor”[16]; além disto, existe aquele pecado mortal do qual a pessoa não se arrepende e não pede perdão, e que pode levá-la à danação eterna[17]. Note ainda que o “mérito de Sua paixão é comunicado” pelo santo sacrifício da Missa: “Em virtude deste sacrifício, os méritos infinitos de Cristo, obtidos por Seu precioso sangue derramado de uma vez [por todas] na cruz pela salvação dos homens, são aplicados às nossas almas.”[18]

calvario

É importante observar que imediatamente após as palavras da consagração, primeiro sobre o pão, e depois sobre o vinho, em ambos os casos o sacerdote faz a genuflexão (e a sineta soa) antes de levantar as sagradas espécies. Isto colabora para assegurar o entendimento católico de que o milagre da transubstanciação, o qual acaba de acontecer, nada tem a ver com o testemunho da assembléia. Portanto, quando da elevação da hóstia ou cálice para adoração dos fiéis, a sineta toca pela segunda vez, e não pela primeira. Depois de voltar as espécies sagradas sobre o altar, o sacerdote faz nova genuflexão e a sineta toca pela terceira vez – simbolizando a Santíssima Trindade. Em relação ao precioso sangue, neste momento o cálice é coberto com a pala, o que o protege da profanação por insetos e outros elementos estranhos.

Uma nota pessoal sobre as palavras da instituição: quando eu fui empossado como capelão de um instituto público para retardados mentais, duas unidades (das muitas que havia) continham residentes com deficiências severas (físicas e mentais) e que não podiam falar. Em geral eles passavam o dia fazendo ruídos vocais, exceto quando as palavras da consagração eram pronunciadas na Missa e as elevações aconteciam – então havia um completo e incomum silêncio na capela. Eles sabiam! Suas mentes inocentes sentiam que a presença real de Cristo havia entrado ali no local. Em outra unidade com deficiências menos graves, onde a idade mental não passava de quatro anos, havia um menino chamado Joey que gritava durante a elevação da Hóstia sagrada: “Meu Senhor e meu Deus!” E Jesus disse: “Da boca dos meninos e das crianças de peito tirastes o vosso louvor.”[19] O papa São Pio X, com efeito, emitiu uma indulgência de sete anos para todos aqueles que, ao fixarem o olhar sobre a hóstia sagrada sendo elevada durante a Missa, exclamarem com fé e devoção: “Meu Senhor e meu Deus!” No instante da elevação do precioso sangue, o melhor amigo de Joey, Butchie, se unia a ele dizendo: “Meu Jesus, misericórdia!”

Imediatamente após a consagração do precioso sangue, o sacerdote reza: Haec quotiescumque feceritis, in mei memoriam facietis (Todas as vezes que isto fizerdes, fazei-o em memória de mim). A Igreja sempre ensinou que este momento foi a instituição do sacramento das Ordens Sagradas. A Última Ceia na quinta-feira santa foi também a instituição do sacramento da Eucaristia; foi a primeira Missa. A Última Ceia foi coisa seria. Foi uma antecipação sombria do Calvário, e não uma “celebração alegre.” Na Última Ceia o milagre da transubstanciação aconteceu pela primeira vez: Nosso Senhor e Deus, Jesus Cristo, como Sumo-Sacerdote eterno, transformou pão e vinho em Seu corpo, sangue, alma e divindade.

Na Última Ceia, Cristo deixava para a Igreja também Sua vontade e Seu testamento: “Fazei-o em memória de mim.” Com esta oração Haec quotiescumque, Jesus ordenou que os apóstolos e seus sucessores no sacerdócio oferecessem a Santa Missa, e continuassem assim a oferecer o sacrifício a Deus Todo-poderoso, trazendo Sua presença real ao mundo, para adoração e para servir como alimento espiritual. Cristo não ordenou aos sacerdotes que presidissem uma “refeição comunitária.” Cristo, na Última Ceia, mandou que os sacerdotes fizesse aquilo que só eles podem fazer: oferecer o sacrifício de Deus-Filho no calvário a Deus-Pai Todo-poderoso. O padre John Hardon, em seu Dicionário Católico, define assim o sacerdote: “Um mediador autorizado, que oferece o verdadeiro sacrifício em reconhecimento do supremo domínio de Deus sobre os seres humanos, e em expiação por seus pecados.” O sacerdote é ordenado para oferecer o sacrifício, e não para preparar refeições. Ao longo de toda a Bíblia e tradição da Igreja, Deus exige sacrifícios, e não refeições. Enquanto que todos os católicos são obrigados a ir à Missa dominical para prestar culto a Deus no sacrifício, nem todos estão em estado de graça para receber a santa Comunhão.

As duas consagrações separadas, primeiro do corpo e depois do sangue de Jesus na Última Ceia e na Missa, significam ‘misticamente’ a morte do Senhor no calvário. Na Última Ceia, Jesus antecipou Seu sacrifício no calvário. Naquela primeira Sexta-Feira Santa, no calvário, a separação violenta entre Seu precioso sangue e Seu corpo causou uma verdadeira separação entre Sua alma humana e Seu corpo, o que provocou Sua morte. No Santo Sacrifício da Missa, a Sua morte histórica na cruz é recordada e expressa pela dupla consagração, que é a separação mística entre o precioso sangue e o corpo sagrado de Cristo. Jesus morre misticamente a cada Missa oferecida. Entretanto, lembre que, após Sua gloriosa ressurreição, o corpo, o sangue, a alma e a divindade de Cristo não podem na realidade ser jamais separados novamente. A separação na Missa é mística, embora o sacrifício seja real. Cristo não pode morrer de novo. Assim sendo, o Senhor eucarístico está verdadeiramente presente no altar em estado vivo e glorioso, do mesmo jeito que está no céu; e Seu corpo vivo, Seu sangue vivo, Sua alma viva e Sua divindade viva estão presentes nas duas espécies, o tempo todo, imediatamente após as consagrações.

Concluindo: a Última Ceia e o calvário estão intimamente ligados. Como última reflexão, considere uma possível conexão entre a Última Ceia e o calvário que se crê ser do tempo de Cristo, e que ainda não tem explicação segundo a ciência moderna: é o sudário que São Pedro e São João contemplaram no túmulo vazio, e o qual é muito provavelmente o Sudário de Turim, atualmente guardado na capela real da catedral de São João Batista em Turim, na Itália. Muitos, incluindo este escriba, acreditam que o Sudário é a longa mortalha de Cristo, que cobriu todo o corpo de Nosso Senhor. Este Sudário contém imagens notáveis e inexplicáveis, bem como manchas de sangue, de um homem crucificado e coroado de espinhos. O curioso é que, além das manchas de sangue, há também manchas de vinho.

Alguns estudos conectando José de Arimatéia ao Cenáculo e ao sepultamento de Cristo, junto com as manchas de vinho que foram encontradas, dão credibilidade a uma possibilidade impressionante: a de que a toalha de mesa usada para a primeira Missa na Última Ceia seja o próprio Sudário de Turim presente no calvário. A teoria é que, na Sexta-Feira Santa, as lojas que vendiam as grosseiras mortalhas, tecidas com ligação simples 1×1, estariam fechadas para a Páscoa, forçando José de Arimatéia a usar a toalha de mesa da Última Ceia, tecida com ligação mais sofisticada 3×1, como mortalha. Além disto, acredita-se que o Cenáculo, parte de uma sinagoga liderada por José de Arimatéia, e local da Última Ceia, foi construída sobre o túmulo do rei Davi. Seria maravilhosamente apropriado que Nosso Senhor Jesus, o Rei dos Reis, o “Filho de Davi”, oferecesse a primeira Missa sobre o celebrado túmulo do rei Davi; além de aparecer ali depois da Ressurreição no domingo de Páscoa. E que coisa interessante: a conexão católica entre a Última Ceia e o Calvário, que protestantes e modernistas negam, parece ser confirmada em nosso tempo pelo Deus Todo-poderoso através do Santo Sudário de Turim. Deus escreve certo por linhas tortas. Ele deixa a nós, pela fé, a tarefa de conectar os pontos.

In Nomine Patris, et Filii, et Spiritus Sancti. Amen.

Notas:

[1] Ver a encíclica Pascendi Dominici Gregis (39), na qual o papa São Pio X define o modernismo como “a síntese de todas as heresias.”

[2] Pão de trigo, sem fermento.

[3] Dt 16,3.

[4] Lc 12,1.

[5] The Holy Sacrifice of the Mass, páginas 666-667.

[6] Suma Teológica, parte III, q64, a8.

[7] Mt 26,26-28; Mc 14,22-24; Lc 22,19-20; e 1 Cor 11,24-25.

[8] Página 675.

[9] Denzinger 712; Ex Quo 61; Mystici Corporis 29 e 31.

[10] N.T.: Idem para a língua portuguesa.

[11] N.T.: A tradução portuguesa, na Missa Novus Ordo, continua errada.

[12] Trento: seção XXII, capítulo IV.

[13] Trento: seção VI, primeiro decreto, capítulo III.

[14] Mc 16,16.

[15] Atos 4,12.

[16] Fl 2,12.

[17] Denzinger, 1002; Catecismo da Igreja Católica, 1035.

[18] Papa Leão XIII, Carta Encíclica “Caritatis Studium”, 9.

[19] Mt 21,16.