Turquia proíbe liturgia cristã ortodoxa em monastério histórico

Publicado originalmente em Jihad Watch (https://www.jihadwatch.org/2016/08/turkey-bans-orthodox-christian-liturgy-in-historic-monastery)

Autor: Ralph Sidway

Tradução: André Carezia

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As portas do monastério de Sumela foram reabertas em junho de 2010, depois de 88 anos. O governo turco tinha dado permissão ao Patriarcado Ecumênico para que realizassem a liturgia ortodoxa na Festa da Assunção todos os anos. Essa permissão foi revogada repentinamente, e provavelmente para sempre.

O fato de que os ortodoxos gregos precisem de permissão especial para celebrar ofícios divinos em qualquer de suas igrejas, em locais que hoje estão na Turquia, é um lembrete negro da opressão islâmica que os cristãos orientais sofrem desde meados do século VII até hoje. E, para os gregos em especial, desde a conquista islâmica de Constantinopla em 1453 até a derrota do Império Otomano pelas potências ocidentais na I Guerra Mundial.

Para dar uma idéia do contexto, eis um trecho de meu artigo “Plano para Assassinar o Patriarca Ecumênico Bartholomew: Contexto Histórico”:

Desde a queda de Constantinopla nas mãos dos militares islâmicos em 1453, os cristãos na atual Turquia foram reduzidos a cidadãos de segunda-classe (e perseguidos até a beira da extinção) através da instituição da dhimma, o contrato de proteção que submete os cristãos ao governo muçulmano em termos humilhantes e aviltantes.

Sob a dhimma, os cristãos têm de pagar a taxa exorbitante da jizya, não podem construir novas igrejas, não podem consertar as existentes, não podem demonstrar sua fé fora de seus templos, não podem converter muçulmanos, etc. Um dos aspectos mais terríveis da dhimma é o conceito de “punição coletiva”. Se um cristão viola o contrato da dhimma, os muçulmanos podem atacar todos os cristãos…

Importa lembrar o papel desempenhado não somente pelos patriarcas fiéis e mártires, mas por outros clérigos e mesmo monges na eventual libertação da Grécia [no início do século XIX]… Mais tarde os Sérvios e Búlgaros se livraram do jugo islâmico também.

Foi essa série de derrotas humilhantes durante o século XIX, e as perdas nas guerras dos Bálcãs no início do século XX, que enraiveceram os muçulmanos turcos. E assim eles se voltaram contra os elementos mais fracos de sua população cristã, precipitando o famoso genocídio contra os cristãos da Armênia, da Grécia, do Ponto e da Síria, massacrando mais de 3,6 milhões de homens, mulheres e crianças (alguns morreram de fome, doenças e deportação forçada) entre 1894 e 1922.

As perseguições esporádicas contra os cristãos remanescentes se estenderam até os anos 1950; talvez o exemplo mais cruel seja o pogrom de Istambul de 1955, que deitou um golpe esmagador na comunidade cristã ortodoxa na Turquia.

A população grega da Turquia já tinha sido reduzida para aproximadamente 120 mil em 1927 (após o auge do genocídio dos cristãos ortodoxos); em 1978 tinha caído para apenas 7 mil. De acordo com o Human Rights Watch, em 2006 havia apenas 2.500 gregos na Turquia.

Desse modo vemos que, assim como fazem desde o século XVI, os turcos muçulmanos continuam a aviltar e humilhar a congregação cristã ortodoxa da Turquia, a qual eles já perseguiram quase até a extinção.

Isso é a marca característica do Islã tradicional.

No artigo “Autoridades Turcas Proíbem a Liturgia Cristã no Mosteiro Panagia Sumela”, de Philip Chrysopoulos, do Greek Reporter, de 11 de agosto de 2016, ele escreve:

As autoridades turcas notificaram o Patriarcado Ecumênico, informando que a licença para a Missa anual no mosteiro Panagia Sumela em Trabzon está revogada.

Depois de cinco anos consecutivos, durante os quais foi permitido realizar a liturgia divina cristã ortodoxa no dia 15 de agosto no mosteiro Panagia Sumela em Trabzon, este ano a permissão foi revogada. O motivo oficial alegado é que durante a obra de restauração do monastério, apareceram problemas na estabilidade do prédio.

A proibição causou um desapontamento muito grande nos milhares de gregos pônticos no mundo todo, e em pessoas da Grécia que tinham planejado viajar para a região estes dias, para celebrar a Festa da Assunção em 15 de agosto.

Fontes do Patriarcado de Constantinopla, que preferem se manter anônimas, e muitos gregos pônticos acreditam que os problemas estruturais alegados são um pretexto; eles temem que as Missas nunca mais serão permitidas no histórico mosteiro.

As portas do monastério de Sumela foram reabertas em junho de 2010, depois de 88 anos. O governo turco tinha dado permissão ao Patriarcado Ecumênico para que realizassem a liturgia ortodoxa na Festa da Assunção todos os anos.

A licença para o mosteiro abrir suas portas aos fiéis cristãos uma vez por ano era permanente. Entretanto, no final de maio as autoridades turcas avisaram o Patriarcado Ecumênico que a licença havia sido revogada, e não esclareceram se a revogação se aplicará apenas a este ano.

Situado em um despenhadeiro 1200 metros acima do nível do mar, e com vista para o vale Altindere, o mosteiro é um local de grande significado histórico e cultural, além de ser uma atração turística importante dentro do Parque Nacional Altindere.

https://www.jihadwatch.org/2016/08/turkey-bans-orthodox-christian-liturgy-in-historic-monastery

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